Revista Statto

Rossonia Serafini

05/09/2018 às 11h28

13 Anos dedicados à Casa da Criança

Do alto dos seus 24 anos de experiência e tendo dedicado 13 deles à Casa da Criança, a pedagoga Rossonia Serafini – diretora da instituição, nos conta um pouco sobre a sua trajetória à frente da escola, que comemora 40 anos este ano.

A casa da Criança é um dos maiores centros de Educação Infantil do município e atende crianças de um a cinco anos e onze meses de idade. Localizada junto ao Centro Social Urbano, na rua Venâncio Aires e ao lado do Batalhão de Operações Especiais (BOE), é mantida por uma aliança entre os poderes estadual, federal e municipal. Mas nem por isso os recursos são abundantes, muito pelo contrário, todo mês, a gestora tem que fazer malabarismos, para dar continuidade ao trabalho dentro da instituição.

Nesses 13 anos, Rossonia Serafini conta que “foi preciso aprender a ser diretora”, referindo-se às mudanças nos processos das redes estadual e municipal de ensino, que são uma constante evolução, superando metas e desafios diários.

À medida que o trabalho foi sendo estruturado dentro da instituição, a confiança foi conquistada junto aos colegas, governo e principalmente com os pais dos alunos e, com ela, veio a autonomia de gestão. Hoje, a escola conta com um Conselho Escolar atuante, constituído por pais, funcionários e professores, e com a Associação de Pais e Mestres, que auxiliam a direção da escola, decidindo e realizando projetos.

A maneira como Rossonia vê a instituição, já diz muito sobre os resultados obtidos por ela. “Eu tenho um cliente. Um cliente que precisa de cuidado e afeto”, diz a diretora, referindo-se aos alunos e pais. E complementa: “A gestão da escola é feita como em uma empresa privada, temos fontes de receitas próprias, como o brechó, uma programação intensa de ações e atividades com fins lucrativos, como a venda de risoto, festa junina, rifas, enfim. Com o valor destas ações, já foi possível realizar diversas obras necessárias para a infraestrutura da escola, como a cobertura de parte do pátio, a sala de informática entre outros, incluindo atender um número maior de crianças, uma necessidade crescente identificada anualmente, passando de 86 crianças para 396, divididas em nove salas climatizadas”.

Os ares-condicionados também foram adquiridos com verbas de eventos, somente o do refeitório foi doado, mas faltava a instalação elétrica. “Não ficamos parados, organizamos uma festa e com o lucro reformamos a rede elétrica da escola e colocamos os condicionadores para funcionar”, esclareceu a pedagoga.

A escola já recebeu diversos prêmios em virtude da proatividade da gestão, um deles oferecido pela FIERGS, referente ao projeto da Biblioteca Itinerante. “Ela iniciou timidamente com uma mala de livros, mas hoje está a pleno vapor. Toda a semana as crianças podem levar livros para casa”, comenta satisfeita.

Um dos grandes diferenciais da escola é o atendimento a portadores de necessidades especiais. A instituição se orgulha em realizar o acolhimento dos alunos, principalmente dos que apresentam alguma síndrome. Rossonia conta que no momento da matrícula, “algumas famílias não diziam o que a criança tinha. Às vezes, por medo de como seus filhos seriam tratados ou, até mesmo, por já terem sido rejeitadas em outras instituições. Esse acolhimento faz toda a diferença nesses ou em outros casos”. Para que esse acolhimento aconteça, a diretora incentiva a equipe a ter empatia por todos, colocando-se no lugar dos pais e, desta forma, buscando o entendimento das necessidades da criança. E o diferencial dessa gestão não para por aí.

Pensando na equipe de trabalho, a diretora procura dispor de todo o material necessário para o bom andamento das atividades. A verba é oriunda das ações acima descritas e além disso, sempre busca tornar o espaço escolar um lugar confortável para se trabalhar.

Mesmo satisfeita com o resultado de suas ações, segundo a diretora, uma das maiores dificuldades é a gestão de pessoas. “Não é tudo um mar de rosas, mas o meu maior orgulho é saber que posso contar com cada um de meus colegas. Todos estão sempre prontos a arregaçar as mangas e vencer desafios. Acho que também me tornei melhor, hoje tenho um olhar flexível e o punho já não é mais tão forte, a equipe já me conhece e sabe como é o trabalho. A proposta pedagógica já está intrínseca no nosso dia a dia e isso faz com que o trabalho flua de forma mais leve, sem deixar de ser disciplinado”.

A equipe é formada por professores graduados e pós-graduados que entendem a gestão aplicada na escola e partilham do mesmo espírito de evolução. “Cada vez mais precisamos estar preparados para trabalharmos com os pais. Gerações que foram muito repreendidas, como a minha, hoje talvez estejam permitindo demais, transferindo para a escola a parcela que lhes cabe”, ressalta.

A escola age com os pais de forma franca e transparente, oferecendo encontros programados dentro do projeto Grupo Acordar, que trabalha de forma pedagógica com as famílias, disponibilizando profissionais voluntários de diversas áreas, para que possam auxiliar e minimizar conflitos ligados ao bom andamento familiar e escolar.

A comunidade participa ativamente das atividades escolares, envolvendo-se com os eventos e, também, através do brechó. “A escola não partilha de uma cultura de espera, somos do fazer, do realizar e seguir em frente. Com certeza aí está o diferencial, pois esse modelo de gestão que adotamos, nos permite ações e atividades que se dependêssemos dos órgãos públicos não conseguiríamos, exemplo disso são as inúmeras reformas, melhorias no ambiente, aquisição de brinquedos e bens que auxiliam os professores no desenvolvimento pedagógico”, esclarece a diretora.

Perguntada sobre a questão salarial da profissão, Rossonia diz: “Entrei sabendo das dificuldades da classe, fiz uma opção. Vale a pena, com certeza, faria o mesmo curso, do mesmo jeito e amo a minha profissão. Na época em que fiz vestibular, os pais direcionavam o curso dos filhos e quando eles esperavam que eu passasse em Farmácia eu me inscrevi escondida em Pedagogia e passei”.

No ano que vem, Rossonia deve se aposentar e já está preparando a sua sucessão.  Além disso, faz planos para seguir trabalhando, mas em outras frentes. “Concluí o mestrado em gestão pública: poderá ser um novo caminho…”, adianta.

Sobre ser mãe

“Sou muito carinhosa com a minha filha Maria Luiza, um serzinho que amo muito, minha parceira e amiga, mas também tenho pulso firme, quando necessário, é o meu jeito. Só digo “sim” ao que posso cumprir, quando digo “não” é por que ele será mantido. Funciona bem até hoje”, risos.

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