Revista Statto

LIVROS, VÊM QUE TE QUERO

02/07/2021 às 15h05

Às vezes, as pessoas se queixam de estarem na solidão, de não terem amigos para conversar, ou mesmo para passear. Queixam-se, também, de não terem lazer, de terem uma rotina casa-trabalho, trabalho-casa, e de não terem o que fazer. Pois bem, é muito importante, prestarmos bem atenção: os livros são companheiros em qualquer situação.

Sabemos que livros são objetos caros e que estamos longe da sua democratização, mas em tempos como os nossos, em que trabalhos culturais voltados para a leitura não são acessíveis a todos, qualquer contato com o livro enche nosso coração de alegria.

Os livros, sejam eles físicos ou virtuais, são instrumentos de potencial valor emancipatório, de ascensão pessoal, profissional e cultural. Aguçam nossa criatividade e nos põem em contato com vários mundos! Com os livros, ampliamos nosso vocabulário e nosso poder de persuasão. Não importa o gênero ou o tema, livro sempre será livro. O escritor e pedagogo brasileiro Rubens Alves (1933 – 2014) já dizia que “um livro é um brinquedo feito com letras. Ler é brincar”.  Assim, as palavras de Alves nos conduzem à importância de iniciarmos nossas leituras ainda quando somos crianças. Nesse sentido, brinquedo e livro serão itens que estarão no mesmo patamar de relevância quando os pequenos têm contato com os dois no mesmo grau de intensidade.

Para o jornalista, tradutor e poeta Mário Quintana (1906-1994), “os livros não mudam o mundo, quem muda o mundo são as pessoas. Os livros mudam as pessoas”. Portanto, a leitura é uma porta aberta para um mundo melhor e mais justo a todos. Quantas histórias exitosas conhecemos de pessoas que mudaram suas vidas por causa dos livros? Várias. Desde a catadora de papéis que levava para casa os livros encontrados na rua até estudantes universitários que liam com velas acesas por não terem energia em casa. O que diferencia então os amantes dos livros é o que eles fazem com as leituras realizadas.

Algumas pessoas leem para se distrair, outras para argumentar, muitas para estarem mais conectadas com suas crenças, outras para melhorem de emprego ou simplesmente, para dialogarem com mundos adversos. Não importa o motivo. É o que nos apresenta o ex-presidente de Harvard (1869) Charles William Eliot (1834 – 1926) que “livros são os mais silenciosos e constantes amigos; os mais acessíveis e sábios conselheiros; e os mais pacientes professores”.

Ademais, é interessante entendermos que não devemos seguir e acreditar em tudo que os livros nos apresentam, mas questioná-lo. O italiano Umberto Eco, filósofo, escritor e linguista (1932 – 2016) já dizia que “os livros não feitos para que alguém acredite neles, mas para serem submetidos à investigação. Quando consideramos um livro, não devemos perguntar o que diz, mas o que significa”. E nesse movimento de inquietar nossos pensamentos, vamos sendo moldados de tantos outros modos de pensar e de ver o mundo, vamos questionando apontando outras razões para o ser e o fazer, vamos abrindo horizontes para outras formas de viver. Vamos nos reconstruindo o tempo todo.

A feminista e escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie (1977) diz que “escrever é rejeitar o silencio”. Se para Adichie a escrita já é uma forma de resistência, imaginem o poder que tem as palavras ao serem tomadas pelos seus leitores? Imaginem essas muitas palavras reunidas em um texto? E em um livro?

O livro nos livra de tudo que tenta nos silenciar. Ele nos conduz e nos impulsiona a irmos onde quisermos. Ele mostra nosso lugar. Nossos lugares. E parafraseando “Se o ar não se movimenta, não tem vento; se a gente não se movimenta, não tem vida”, palavras de Itamar Vieira Junior (1979), uma casa sem livros é uma casa de história única. E casa de história única, é um perigo terrível à vida.

Páginas dos livros

Fantasia ou realidade? Não tenho ainda a resposta

Mas sei que saudei Machado de Assis E com ele, numa tarde de outono Palavras realistas eu troquei.

Conversei por longas horas Com Jorge Amado e sua amada E sobre Gabriela fofocamos Entre risos e segredos

Desse autor baiano. Andei sem muita pressa

Pelas avenidas cheias de pernas E esbarrei em Carlos Drummond Que poetizava a vida.

Como ele é carismático! Tem sempre um verso Escondido em sua língua. No entardecer, fui eu andar pelas trilhas

Que me levaram a campos abertos Cheios de esconderijos e partidas. Lá eu encontrei a jovem Anne Frank Que não largava a caneta e o diário escrevia suas angústias e esperança de ser livre e ter felicidade.

Ela sorriu para mim e acenou desconfiada retribui seu humilde gesto

E segui minha caminhada. Nas colinas eu cheguei

E um vento forte fez cantar as folhas das grandes árvores E no meio à ventania

Um lenço vermelho bailava no ar ouvi risos e gargalhadas

E uma voz suave, de uma jovem pedindo para o vento a esperar, fez meus passos ali parar

Retribui o sorriso

Para a moça que surgiu em minha frente E juntas, fomos nós duas

Pegar aquele lindo lenço pousado bem acima da gente. A moça me agradeceu

E disse que estava indo à escola Reconheci Malala na hora

E ela me deu um livro, de presente.

Ao amanhecer, o Sol banhou a minha face E vendo Carolina de Jesus já a trabalhar Quis ajudá-la a catar

O sustento para os seus três filhos poderem se alimentar. Mas eu tinha que para casa retornar

Pois minha vovó Benta não descansava enquanto eu não guardasse minha boneca Emília Que ficava esparramada em minha cama.

Peguei um tapete de vaga-lumes que encontrei no meio das margaridas do sertão

E fiz as asas que idealizei

Por árvores, colinas, mares, montanhas, castelos, vulcões em erupção eu voei…

Fadas me saudaram ao cruzarem por mim no céu Bruxas e duendes reclamavam

Dos altos preços dos ingredientes

Eram tantas vozes e tantos saberes que chegavam até mim que quase não reparei

As fazendas lá embaixo

De homens, crianças e mulheres Com roupas de listras padronizadas E perto da cerca dessas fazendas Vi sentada junto a um lago

De águas cristalinas

Conceição Evaristo banhando seus olhos

Segui meu voou até pousar na Lua para descansar. Depois de satisfeita estar

Com a comilança de queijo que fiz por lá continuei a voar

Com o tapete de brilho

Agora feito com a luz do luar. Já deitada em minha cama

Vi uma menina pela janela do meu quarto entrar ela disse que roubava livros

Para a vida mais feliz ficar deixei que levasse o que quisesse, mas um livro não poderia levar Era o livro na minha memória que fazia eu viajar

Com fantasia ou realidade

As páginas dos livros sempre serão o melhor lugar!

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