Revista Statto

A GENTE NÃO QUER SÓ COMIDA

24/04/2019 às 09h23

Vamos trocar um livro por um pedaço de carne?

Antes que alguém conclua, acertadamente, que sou um chato, quero dizer que gosto de carne, mas gosto mais ainda de livros.

Mas, é impressionante a fila no açougue e o desamparo das livrarias!

Os centros de compra estão lotados, o que não é ruim, mas as bibliotecas estão às moscas, vivendo de meia dúzia de constrangidos frequentadores que não desistem de ler, de conhecer e de sonhar com uma sociedade mais informada.

Sou frequentador das redes sociais, utilizando-as como eficiente ferramenta de divulgação de ideias e de provocação de discussões, mas, segundo meus filhos, ninguém lê mais que três linhas. Uau, será verdade?

Sei que as redes sociais são o paraíso da urgência, mas eu faço de conta que não sei e mando ver em textões de trinta linhas, que uns cinco leem.

Não me importo, por isso comprei um livro com mais de mil páginas sobre Hitler, que um amigo propôs trocar por uns dois quilos de carne logo que passamos em frente a um açougue.

Abracei-me ao livro e liberei grana para comprar a carne do churrasco.

No meu livro ninguém tasca, vou ficar o próximo mês lendo-o e depois vou depositá-lo com carinho num local de destaque da minha biblioteca, como um sobrevivente valoroso da fome do corpo de alguns.

Vou fazer um testamento em que meus sucessores podem fazer o que acharem mais conveniente com meus bens imóveis, mas aos livros deverá ser dado uma destinação nobre: uma biblioteca, onde possam ser lidos pelo maior número possível de de pessoas intelectualmente interessadas, que os vejam como uma riqueza cultural a ser preservado e não como um bem de natureza patrimonial.

Não desprezo alimentar o corpo, mas não esqueço do meu espírito!

Ele merece.

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