Revista Statto

AGOSTO LILÁS: SAIBA OS TIPOS DE VIOLÊNCIA E COMO AGIR DIANTE DAS AGRESSÕES

21/08/2020 às 16h22

Para começar esse artigo sobre agosto Lilás, um mês tão importante de conscientização no combate à violência contra a mulher, começo ressaltando que a violência intrafamiliar é diferente da violência doméstica e trata-se de um problema que afeta a sociedade de maneira global.

Esse tipo de violência considera todo e qualquer ato, ou mesmo omissão, de um integrante da família que impacte negativamente no bem-estar e na integridade física, psicológica ou até mesmo na liberdade e no desenvolvimento de outro membro.

Há quatro características da violência intrafamiliar:

Espaço físico em que ocorre: frequentemente, ocorre no ambiente em que a família vive, mas pode ocorrer em outros espaços também;

Relação em que se constrói: esse tipo de violência é definido pelas relações nas quais se constrói. Para ser considerada violência intrafamiliar é necessário que ocorra entre pessoas de uma mesma família, lembrando que esse vínculo não necessariamente precisa ser sanguíneo;

Sujeitos a quem atinge: pode atingir a todos os membros da família, mas é visto que as principais vítimas são mulheres, crianças, adolescentes, idosos e pessoas com deficiência;

Tipos de violência intrafamiliar: de maneira global, considera-se que ela pode se manifestar por meio da violência física, sexual, psicológica e econômica financeira.

Por isso, saliento que a violência intrafamiliar e violência doméstica não são sinônimos, apesar de muitas vezes serem conceitos que se entrelaçam. A violência intrafamiliar tem como característica definidora as relações nas quais ela ocorre, enquanto a violência doméstica tem como predicado determinante o espaço físico no qual ela ocorre.

Violência contra a mulher em período de isolamento social: como se proteger de um abusador?

Segundo a Secretaria Nacional de Políticas para Mulheres houve um aumento de 17% no número de denúncias registradas pela plataforma no comparativo do começo e do fim do mês de março, período marcado por determinações de afastamento social em estados e municípios.

Nas relações amorosas é comum haver discussões, afinal, quando não se está de acordo com alguém, argumentar, mesmo que de forma veemente, é um modo de reconhecer o outro, de levar em conta que ele existe. Agora, quando falamos de violência, a conversa muda o rumo: o outro é impedido de se expressar, não existe diálogo.

As táticas de terrorismo íntimo viram-se contra o terrorista e da mesma maneira como ferem a vítima, ambos saem machucados.

Assim, o indivíduo diminui a sua ausência de autorrespeito e humanidade, paralisando a vitalidade do relacionamento. O ganho visado pela violência é sempre a dominação e em tempos de isolamento social imposto esses números tendem a aumentam, já que o agressor permanece em confinamento com a vítima.

E os efeitos da violência conjugal são devastadores para a saúde física e mental das mulheres e seus filhos: a violência física é facilmente percebida, mas a marcas desaparecem.

Já quando falamos da violência psicológica, as marcas são inapagáveis. Você, mulher, não é a responsável por essa dor, não precisa e não deve ficar aprisionada a ele para sempre.

Apesar de muitas vezes a mulher ter uma visão clara do que está acontecendo, é comum considerar os filhos como a primeira causa para adiar a decisão.

Vêm os sentimentos de culpa, dúvida, medo, a esperança de ter interpretado mal as coisas ou até mesmo a crença de que o parceiro vai mudar o comportamento e, como um milagre, seremos felizes para sempre.

Algumas ferramentas essenciais

Deixo algumas dicas para você buscar se ajudar e ressalto: busque ajuda o quanto antes. Não tenha medo e nem vergonha, pois é a sua vida em risco!

  • Recupere o seu poder e construa a sua autonomia: observe a sua vida e os desafios que você enfrenta, as suas idas e vindas diárias, quais situações fornecem potencial máximo para que você recupere seu poder e conquiste sua autonomia?
  • Esforce-se: olhe para dentro, seja honesta. Será que você mesma não está criando suas dificuldades? Prepare-se para se reconectar com você e se tornar uma pessoa verdadeiramente plena;
  • Seja tolerante com você: a tolerância é um ponto central, pois resulta na dignidade humana. Olhe com gentileza amorosa para você, eis a forma mais elevada de respeito e amor consigo mesma;
  • Nunca seja uma vítima: o que preciso aprender com esta experiência? Quais são as lições da vida que preciso assimilar? Se isto está acontecendo comigo, então, como sou responsável pelo que estou passando? Qual meu papel nessa peça?
  • Construa a sua felicidade, senão…: reconheça o valor de voltar a sorrir, reconstrua a sua vida com bases sólidas e apodere-se do que você deseja e merece.

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