Revista Statto

EU ACREDITO

01/11/2019 às 16h00

Durante décadas fiz de conta que não me importava com a sorte de meu time do coração, mas confesso que, reservadamente, sofria, chorava e comemorava.

Tem gente que diz que religião, política e futebol não se discute, imagino porque sempre foi motivo de brigas e confusões.

Acho que não há necessidade de brigar com aquele que torce por outro time. Não há uma explicação lógica para essa escolha, e por isso ninguém deve ser obrigado a motivar porque é azul ou vermelho.

Meu avô era daqueles que ouvia o jogo do Inter (todos!) em um rádio daqueles enormes, de válvulas e com uma antena de metros pendurada na ponta de uma taquara. Afinal, não havia televisão ou apenas os ricos a tinham.

Ele ficava ali, puxando um cigarro de palha enorme, com a cabeça encostado no alto falante para não incomodar minha vó (que reclamava sempre das brasas que caiam e que furavam suas calças!), desde que abria a Jornada Esportiva Ipiranga e dali só saia quando a emissora parava de falar no assunto, três horas depois do fim do jogo.

Eu amo meu avô Clodomiro, de forma que foi natural a paixão pelo Inter.

Por outro lado, sem desprezar o azul, acho o vermelho uma cor vibrante, ligada ao sangue e à luta.

Quantas alegrias. Quantas tristezas. Quantas vitórias grandiosas e derrotas acachapantes.

Como não sou uma pessoa que controla suas emoções, segurar a alegria ou o choro em razão de vitórias ou derrotas de meu time sempre foi um exercício de dor. Ou, talvez, hipocrisia, e hoje, com 63 anos, não tenho mais obrigação de manter a impressão de que não me importo.

Não sou sócio e estive apenas uma vez no Estádio Beira Rio, à tarde e levado por minha esposa, gremista. Sentei e chorei, como uma criança boba. Foi muito legal.

Vale a pena sofrer por um time de futebol? Não, mas quem disse que tudo que a gente ama deve valer a pena?

Sofrer por um time de futebol não é racional.

É pura emoção.

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