Revista Statto

FEMINICÍDIO

30/10/2018 às 12h42

Tenho insistido, em tudo que escrevo, sobre a necessidade de se estabelecer uma relação de respeito pessoal, sexual, moral e físico entre homens e mulheres, correndo o risco, inclusive, de ser interpretado como contrário aos direitos das mulheres, o que absolutamente não é verdade.

Minha história de vida pessoal me permite dizer que amo as mulheres, pois tenho três filhas e uma netinha querida, e todos sabem o carinho que devoto a elas, apesar de algumas “reinações” próprias da condição humana.

Em vista disso, posso dizer que abomino qualquer tipo de violência contra as mulheres, seja praticada por estranhos e, pior ainda, por parceiros, maridos, namorados, ficantes ou qualquer que seja a condição, pois tal demonstra que o mundo ainda é muito injusto e desigual para com as representantes do sexo feminino.

Segundo notícia publicada no site do Tribunal de Justiça, no Estado do Rio Grande do Sul, mais de 150 processos por feminicídio, que é uma qualificadora do delito de homicídio, foram iniciados em 2016, sendo que no Brasil a taxa desse crime é de 4,8 para 100 mil mulheres – a quinta maior no mundo, segundo dados da Organização Mundial da Saúde.

Isso significa que, estatisticamente, a cada três dias, uma mulher é morta no Rio Grande do Sul por agressões perpetradas por homens, quase três por semana, mais de 12 por mês.

Ocorre que uma morte é muito mais que um número nas estatísticas, pois representa sofrimento, dor e descrença na espécie humana, que não evolui para respeitar-se mutuamente. Representa ainda crianças sem mãe, companheiros sem companheiras, solidão, desilusão na capacidade do amor, ódio e incompreensão.

A esse número absurdo de mortes de mulheres pela violência humana, devem se somar milhares que morrem sem atendimento médico e por falta de alimentação, por deficiências de vestimentas e descaso.

Dizem que é chato falar disso, mas não falar disso é criminoso, pois é no silêncio e na omissão que os agressores se criam, se agigantam e se escondem.

Um dia, espero que próximo, possamos parar de escrever sobre isso, e aí teremos um mundo bom, justo e igualitário para as mulheres.

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