Revista Statto

NÃO ATIRE A PRIMEIRA PEDRA

03/01/2020 às 09h02

Impressiona-me que certas pessoas, com um mínimo de idade e experiência, se acham tão inteligentes e informadas e que tem certeza de tudo, inclusive da personalidade dos outros. Sabem tudo do bem e do mal, do certo e do errado, do justo e do injusto.

Ou será que sou eu, burro velho, que não sei nada? Experiência, vivência e conhecimento acumulado é bobagem!

Vejam, não estou negando a importância de novas ideias, de “cucas arejadas”, não estou limitando o mundo àquilo que aconteceu “no meu tempo”, porque sei reconhecer a necessidade de avançar, sempre.

Então, quando vejo um gurizinho recém-saído dos cueiros arrotando conhecimento e certeza que eu e meus contemporâneos não temos, não sei se fico com nojo ou com pena.

Todos os dias vemos coisas novas, vivemos novas experiências que derrubam por terra nossas velhas e carcomidas convicções, de forma que é impossível ter certeza absoluta de tudo.

É bom acreditar que conhecemos pessoas, mas, nos conhecemos? Qual é realmente a nossa capacidade de avaliar o caráter e a personalidade do outro? Será que nunca cometemos e nunca cometeremos os erros que achamos que o outro cometeu? A sentença de “quem aqui entre vós não tiver pecados, que atire a primeira pedra” tem, pelo menos, dois mil anos!

Mas, o filósofo Sócrates, que viveu entre 470 e 399 antes de Cristo, já teria dito que “só sei que nada sei”, no sentido de que estamos permanentemente em busca do conhecimento, e nunca o encontramos de forma absoluta.

Está bem que Sócrates e Jesus Cristo não tinha internet, Google e outras fontes absolutamente confiáveis de conhecimento, ou seja, eram uns idiotas.

Quem sabe das coisas sou eu, que li todos os Almanaques Capivarol que me caíram nas mãos, que assisto todos os programas de auditório de televisão sobre conhecimentos gerais. Eu sou o cara, por isso sei tudo.

Um pouco de humildade nunca é demais, um pouco de empatia, sempre é interessante.

Mesmo que tenhamos certeza que o outro errou, que tal parar um pouco para tentar entender porque ele errou, se ele errou consciente, se suas atitudes não foram ditadas por excesso de amor, em vez de ódio ou desejo de prejudicar?

Eu sou um ingênuo, por isso sempre dou ao outro o benefício da dúvida.

Quem nunca errou, que me atire a primeira pedra.

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