Revista Statto

NÃO TEM O QUÊ FAZER?

09/12/2019 às 10h39

Minha filha, não sem razão, me perguntou se eu precisava de algum serviço, já que estava muito ativo nas redes sociais falando de futebol e outras coisas tão relevantes quanto isso.

Não, respondi, hoje é só futebol, até ganhar ou perder o jogo.

Amanhã, podemos pensar em trabalhar.

Daí pensei que trabalho desde os onze anos de idade, o que soma 52 anos de serviço.

Assim, posso me dar o luxo de não fazer nada de vez em quando. Quando eu completar 65 anos talvez mude de foco, mas quero sempre ter alguma atividade, mesmo que não renda nada financeiramente.

Não me imagino sem fazer nada.

Participo da Academia Santa-Mariense de Letras, onde sou Presidente, de programas de rádio, de grupos de cidadãos preocupados com o desenvolvimento de Santa Maria, leciono em cursos de pós-graduação sempre que convidado, profiro palestras e, pasmem, cuido da família!

Para ocupar um espaço de tempo que não tenho, inventei de organizar uma festa pelos quarenta anos de minha formatura em Direito.

Quem quer acha um jeito, quem não quer acha uma desculpa.

Não sou melhor que ninguém e não critico quem decidiu aposentar-se e ficar à toa, mas eu não consigo. Se viajo, anoto detalhes das cidades que, um dia, poderão servir para alguma crônica.

Leio muito e escrevo mais ainda, mas não deixo de assistir alguns capítulos de novelas de televisão (daquelas escritas para quem tem idade mental de três anos), alguns filmes, saio para jantar com amigos, ufa!

Então, sim, eu tenho o que fazer. Talvez não sejam coisas que rendam grana imediata, mas eu estou investindo em meu futuro que, espero, não chegue logo e, quando chegar, não seja breve.

E, assim, sem fazer nada e fazendo de tudo um pouco, vou vivendo, até que a morte, a quem eu respeito, mas não temo, me alcance.

Aviso: essa é uma guerra que sei que perderei, mas não sem antes lutar bravamente, pois prefiro morrer lutando do que viver ajoelhado e vencido.

Tenho dito.

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