Revista Statto

O SONHO DA MULHER

19/09/2020 às 09h14

A dignidade só pode ser construída numa sociedade ou em um indivíduo quando parte do princípio da necessidade de mudança…

Sinto-me triste e indignada diante de situações constrangedoras e humilhantes que a mulher tem vivido por ter sido em todas as civilizações e em qualquer época, privada de sua liberdade, em nome: dos costumes, da religião e da tirania do machismo que vem reinando desde mais remota civilização. Mas, graças a idealistas como Gulabi gang – ativista que revoluciona os costumes recuperando a dignidade de mulheres oprimidas na Índia,  e tantas outras na história, em todo mundo que um Fleche de liberdade tem dado a mulher o direito de sonhar por dignidade; mas, como alcançará a dignidade se são encarceradas, e cujos cárceres encontram-se em si mesmas, pois desde sempre desconhece a liberdade… Em países Islâmicos a opressão à mulher chega causar indignação; por essa razão não falta ativistas que tentam de modo acanhado, resgatar a mulher da tirania dos costumes da religião empanado de um machismo exacerbado. Onde já se viu nos tempos de agora mulher ser condenada a ser chicoteada até a morte por praticar adultério? E, se quando sai à rua a mulher, se quer tem o direito de mostrar seu rosto, subordinada a um costume imposto por uma religião fundamentalista…

No Ocidente a Burca é trocada por desrespeito de natureza diversa; desde uma mentalidade “prostituitiva” a violência física que muitas vezes resulta em óbito. O refrigério que a mulher contemporânea, busca, assim como buscava a do passado, através de uma liberdade tão desejada, cujo grito tem ecoado nas paredes do tempo, possivelmente o encontrará…  A mulher não é o sexo frágil como tem sido rotulada nas sociedades, ela é forte em demasia; pois, para suportar sobre os ombros o peso da tirania do machismo ela tem mesmo que ser forte, ser vista como sexo forte, portanto não lhe cai bem essa ambiguidade que lhe rotula de sexos frágil. Convenhamos que a dignidade, e a liberdade é o direito de todos os seres humanos, e por que negá-la?

As feministas vêm organizando-se em movimentos que lutam por igualdade de direitos a partir da vida concreta e cotidiana das mulheres, é preciso entender a violência como algo estrutural. A violência contra a mulher é um pilar do poder patriarcal, uma das mais fortes expressões das desigualdades entre homens e mulheres.  Desde o período da redemocratização, os movimentos feministas e de mulheres, em sua ampla diversidade – do campo, das florestas e das cidades, de categorias de classe sindicalizadas ou não, trabalhadoras domésticas, profissionais do sexo, mulheres indígenas, feministas negras, jovens, mulheres com deficiência, lésbicas, bissexuais e transexuais – vêm denunciando a violência sofrida no cotidiano das brasileiras (…).

A vitimização de mulheres no Brasil, segundo pesquisa: Cerca de 16 milhões de mulheres, acima de 16 anos, foram vítimas de algum tipo de violência nos últimos doze meses. Uma vitimização que chega à taxa de 27,4%, de acordo com dados da pesquisa divulgada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (…).

São muitos os dados de violência e assédio contra a mulher que refletem a desigualdade de gênero na sociedade, como avalia a consultora de projetos do Fórum, Cristiane Neme, em entrevista à Rádio Brasil Atual (…).

De acordo com a pesquisa, a casa ainda é o principal local de agressão, mas a internet já registra 8% de casos de violência que fazem das mulheres entre 16 e 24 anos as principais vítimas (42,6%), sobretudo entre as que se autodeclaram negras (28,4%). Se o espaço da casa é um ambiente seguro para muitos, porém, para muitas mulheres pode significar um lugar de violência e medo (…).

Segundo a reportagem da Folha de São Paulo, “os assassinatos de mulheres em casa dobraram em São Paulo durante a quarentena”. Na segunda quinzena de março, com o aumento do isolamento social, o serviço de atendimento e denúncia de situações de violência contra as mulheres “Disque 180” registrou um aumento de 9% nas denúncias em relação à primeira quinzena do mesmo mês (…).  As relações de poder conflituosa resultam em casos de violência um reflexo dessa cultura machista e patriarcal.

A Lei 11.340, de 7 de agosto de 2006, criada com o objetivo de coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher. Desde a sua publicação, é considerada pela Organização das Nações Unidas como uma das três melhores legislações do mundo no enfrentamento à violência contra as mulheres. Além disso, segundo dados de 2015 do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a norma contribuiu para diminuir cerca de 10% dos feminicídios praticados dentro de casa. Popularmente conhecida como Lei Maria da Penha…

Compartilhe!