Revista Statto

YNGRID PINTO REALIZA AÇÕES PARA DIVULGAR DISQUE 180 E BO ONLINE EM TEMPOS DE PANDEMIA

21/08/2020 às 15h06

Yngrid Pinto, preocupada com o aumento da violência doméstica em tempos de pandemia, realiza ações massivas para divulgar o DISQUE 180 para que o vizinho meta a colher sim caso perceba algo estranho, e, a possibilidade de se fazer boletim de ocorrência – BO online, em caráter de exceção em decorrência do COVID-19 (coronavírus). Yngrid diz que “isolamento social dificulta a busca por ajuda“.

Normalmente, não é permitido se fazer BO online quando o assunto é agressão física, mas devido ao cenário, em caráter excepcional, é possível, mas poucos sabem, por isso a ativista se empenha para divulgar a possibilidade.

A ativista Yngrid Pinto foi se tornando popular na região de Serra/ES devido a sua notável atuação. Yngrid é moradora do bairro de Valparaíso e suas prioridades são: atendimento segmentado das mulheres com qualidade, fortalecimento da participação dos jovens na busca da formação de qualidade e primeiro emprego, efetivando a participação do cidadão de maneira concreta. Finalista dos prêmios “Mulheres do Amanhã” e “Boas Práticas” (Amunes). Yngrid abriu processo administrativo para os secretários de Obras e de Desenvolvimento Urbano para facilitar o acesso de mulheres à delegacia. Também abraçou a iniciativa da “Mulheres por Elas” para arrecadar kits de higiene para mulheres vulneráveis com o apoio do grupo “Maria Vamos Juntas” que é idealizadora.

O que te motivou solicitar melhorias em torno da Delegacia da Mulher no Município de Serra/ES?

Em janeiro de 2017 a Delegacia da Mulher (DPAM) que funcionava no bairro Laranjeiras passou a funcionar em Boa Vista II junto ao Pátio de Vistoria do Detran, atrás do Apart Hospital. Isso dificultou de forma demasiada o acesso das mulheres para registrar o boletim de ocorrência (BO), isso porque a localização anterior era próxima do terminal rodoviário e próximo do maior polo comercial de Serra, ou seja, lugar de fácil acesso e com fluxo de pessoas. Hoje, a DPAM fica em um bairro adjacente ao Jardim Carapina que está no ranking dos bairros mais inseguros do município, o local além de Ermo, não possui placas de sinalização, tão pouco faixa de pedestre e nem calçada. Sabendo que o número de violência e feminicídio aumenta de maneira desordenada, abri um processo administrativo através de ofício solicitando melhorias no entorno da delegacia. Porém, o objetivo principal é abrir diálogo para uma futura transferência.

As solicitações foram atendidas por completo?

Não. Atendeu apenas as faixas de pedestres porque conforme o parecer técnico da prefeitura de Serra/ES só há possibilidade de implantação em frente à Delegacia, segundo o executivo, conforme projeto. Nas outras vias solicitadas, eles informaram que as faixas não possuem calçadas em ambos os lados ou estão irregulares (a calçada é de responsabilidade do proprietário do imóvel), sendo essa uma das condições necessárias para a implantação de faixa de pedestres. Quanto a placa indicativa com a informação de localização da Delegacia da Mulher, alegam que o local adequado para instalação da mesma seria na BR-101 (Reta do Aeroporto), sendo esta de responsabilidade da Concessionária ECO-101.

Na sua opinião, quais foram as dificuldades encontradas para atender as demandas de acessibilidade?

As dificuldades encontradas foram a falta de celeridade de despachar o processo, demoraram 8 meses para fornecer um parecer técnico, e, a terceirização de responsabilidades. Mesmo que o melhor local seja na BR-101, uma placa poderia ser colocada na rua do Apart Hospital. Com relação a calçada, é de responsabilidade do proprietário, contudo é um projeto de acessibilidade para os pedestres, sobretudo as pessoas com deficiência, gestantes e idosos. Ele prevê a padronização das calçadas, visando a mobilidade com segurança pela cidade, conforme determinam as legislações federal e municipal. Cabe ao executivo trabalhar junto aos moradores para construir, recuperar e manter calçadas sem empurra-empurra.

Você é idealizadora do @mariavamosjuntas, quais são os principais objetivos do grupo?

O Maria Vamos Juntas tem o objetivo de combater a violência doméstica e o feminicídio, bem como, fomentar políticas públicas para as mulheres. Somos um grupo de amigas que nos unimos para prestar serviços voluntários como assessoria jurídica, psicologia e social.

Além das melhorias para delegacia da mulher, quais foram suas iniciativas junto a prefeitura de Serra, nesse período, para minimizar os impactos da pandemia na vida das mulheres?

O isolamento social em decorrência pela pandemia do COVID-19 traz à tona de forma potencializada indicadores preocupantes sobre violência doméstica e familiar contra as mulheres. Segundo nota técnica do fórum anual de segurança pública, no Brasil, o número de denúncias reduziu em 8,6% comparando março de 2019 a março de 2020, demonstrando claramente que o isolamento social dificulta a busca por ajuda. A Secretaria de Saúde da Serra e a Secretaria de Defesa Social fizeram algumas ações como entregas de kits de limpeza e blitz informativa. Sugeri para a Secretaria de Políticas Públicas para Mulheres do Município que abrisse diálogo com essas secretarias, objetivando unir ações para entregar materiais como cartilhas informativas de onde procurar ajuda, com endereços, telefones, sites e links, como o da delegacia online no site da SESP e site da Defensoria Pública para solicitar medida protetiva de urgência. Além disso, solicitei cartazes para fixar nas unidades de saúde e demais locais públicos onde oferecem serviços da prefeitura. Ademais, através do projeto Maria Vamos Juntas, arrecadamos cestas básicas, kits de limpeza e absorventes. Orientamos sobre o que fazer diante da violência doméstica, onde procurar ajuda e sobre pobreza menstrual e saúde da mulher durante as ações de entrega.

Diante das suas ações e projetos, o que você espera de efetivação de políticas públicas para mulheres a partir de 2021?

Estamos bem próximos das eleições municipais, o maior desafio vai ser aumentar nossa representatividade no executivo e legislativo. Apoiar candidaturas femininas é acreditar na política como ferramenta para melhorar a vida das pessoas. Possível, mas poucos sabem, por isso a ativista se empenha para divulgar a possibilidade.

 

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