Revista Statto

CORTANDO O CICLO DA VIOLÊNCIA

01/06/2021 às 10h34

A violência verbal causa tanto dano quanto a violência física; na última a marca é no corpo enquanto que na primeira a cicatriz se faz na alma. Entende-se por violência verbal a palavra que desrespeita a integridade psicológica de outra pessoa, por isso acontece concomitante a violência psicológica.

A dificuldade de estabelecer uma comunicação sadia tem feito com que muitas palavras sejam ditas sem se levar em conta o efeito que causam no ouvinte. Pessoas alteradas pelo estresse, irritadiças e nervosas comumente agridem verbalmente por impulso, isto é, sem qualquer planejamento de ação e, portanto, muitas vezes sem a intenção prévia de magoar. Pior ainda é quando existe a forte deliberação de ferir; então não agem assim esporadicamente e acabam criando um hábito de criticar e agredir quase sempre outras pessoas que não estejam em condições de defender-se ou impor respeito. É o caso de indivíduos que possuam algum tipo de autoridade e que usam disso para humilhar e atacar os que consideram de alguma forma subordinados.  Pessoas dadas a esse tipo de manifestação estão quase sempre envolvidas em complexos e conflitos existenciais intensos.

O que se observa é que esse tipo de ação está intimamente ligado a histórias de submissão onde a revolta se manteve retida por longo tempo. Assim, quando esses indivíduos se sentem “capazes” agem da mesma forma como foram tratados. São pessoas marcadas por cicatrizes imensas que optam por continuar esse ciclo de violência. É realmente uma escolha, pois não precisa ser assim; mesmo marcados por sofrimentos profundos, qualquer ser humano pode buscar novos padrões de comportamento e optar por cultivar relacionamentos saudáveis.

Na disposição de desenvolver a comunicação fluente é possível entender quais ações incomodam ou marcam negativamente as pessoas com as quais se convive. E, da mesma forma, manifestar o que é capaz de causar dano a si mesmo. Partindo do princípio de que o diálogo franco é capaz de criar elos importantes, todo o esforço de desenvolvê-lo é recompensador. Também é preciso levar em conta que as pessoas têm formas diferentes de sentir e manifestar-se, assim é conversando que se edificam relações pacíficas. Sendo toda forma de violência danosa a quem pratica e a quem recebe, torna-se racional eliminá-la. Como quase sempre as agressões verbais são uma consequência inconsciente de histórias passadas; através da reflexão e da autoanálise podemos identificar essas marcas e o que exatamente elas têm provocado. O ideal é chegarmos ao ponto de mantê-las apenas como cicatrizes que nos recordem o que não é interessante causar em outras pessoas.

Quebramos assim uma cadeia agressiva e nos tornamos aptos a uma vida muito mais saudável. Daí a grande importância de nos conscientizarmos de nossas dificuldades e compreendermos as dos outros, pois só dessa forma será possível construir uma história diferente para nós mesmos e para aqueles que convivem conosco.

Assim nossas cicatrizes já não nos incomodarão, pelo contrário representarão a vivencia e a postura de quem reconhece suas fragilidades e trabalha por vencê-las, sem jamais produzir a mesma marca em outro ser humano.

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