Revista Statto

INTERNET: UMA TERRA SEM CERCAS

17/01/2021 às 11h16

Até onde vai o seu direito? E o meu? Até onde vai seu espaço? E o meu? Até onde vai a sua liberdade? E a minha? Perguntas simples de responder, muitos dariam respostas em poucos segundos. Mas as mesmas somem quando falamos de redes sociais.

A pouco tempo atrás, começou um movimento ofensivo e invasivo nessa terra sem marcações.  Ainda me espanto como o homem não aprendeu a lidar com o lúdico, precisa realmente de metragem para saber esse espaço é meu, e esse é o seu. Ninguém pula o muro do vizinho, e monta sua piscina no quintal ao lado, mas entra em páginas pessoais e direcionam comentários racistas, homofóbicos, gordofóbico, e como não existem muros dificulta para algumas pessoas saberem onde começa e onde termina o seu espaço.

Existe o seu espaço, o espaço do outro, a opinião dela manifestada, e a sua que ela não pediu. A não ser que diga, aberto para debate.

Eu já parei para refletir, mas não consigo compreender, a necessidade de entrar na rede social de alguém e ridicularizar a pessoa, outras vezes provocar um atrito desnecessário, ou simplesmente anular idéias e crenças dessa pessoa. E por vezes são coisas tão desnecessária como: a culpa é de um certo político, você está gorda, está feia nessa foto. Qual a necessidade disso? É a opinião do outro, manifestada em seu espaço, é uma foto que ele gostou e compartilhou, qual a dificuldade para entender? Precisamos de muros na internet agora?

Não estou ditando regras de etiqueta, mas particularmente quando eu vejo algo que não bate com meu pensamento, eu uso meu dedo indicador e deslizo para cima. Parece um movimento simples né? Mas é usado raríssimas vezes, nessa hora os mesmos dedos ágeis para digitar comentários desnecessários, apenas caem.

Parece-me que hoje é mais fácil aceitar um comentário ofensivo, que um dedo incapaz de deslizar pela tela do celular. Ao meu ver, quando você faz isso e não se importa com esse tipo de comentário independente de sua natureza, é que no fundo você tem um pouco disso. Se você curte um comentário homofóbico, é que no fundo você é homofóbico. Homofobia não é só matar, esse é ápice, homofobia é acreditar que pessoas que não sejam heterossexuais não merecem os mesmos direito que os seus, é que de alguma forma você é superior a elas. Um exemplo, você pode casar, mas eles não. Cada um defende o que mais se aproxima de sua natureza.

Nessas horas eu vejo que o mundo mudou, para pior. A internet virou a terra onde as pessoas expõem seu pior lado, e tudo bem isso, como se você lutasse o dia todo para esconder seu ódio, e na internet saísse atirando sem dó nem piedade. Sem sabe se está invadindo o território do outro, humilhando, e assim sendo que você realmente é, pudesse depois deitar sua cabeça no travesseiro e dormir, por mais que suas atitudes sejam consideradas monstruosas. A internet não é a terra dos mascarados, como na vida real devemos ter consciência dos nossos atos, e pagamos por eles. Pois pode até ser uma terra sem cercas, mas não é uma terra sem dono.

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