Revista Statto

NEUROCIÊNCIA PODE NOS AJUDAR A DESENVOLVER HÁBITOS NOVOS

17/02/2021 às 23h20

Especialista em comportamento e desenvolvimento humano explica como a neurociência pode nos ajudar a desenvolver hábitos novos

Na pandemia muita gente prometeu a si mesmo uma reinvenção ou mesmo pensou em começar um hobby ou esporte novo. Mas na hora de colocar o plano na prática, nem sempre é fácil assim. Isso pois hábitos são uma resposta padrão do nosso cérebro, criada por conta da repetição de determinada atitude, seja ela positiva ou negativa, com o intuito de conservar energia. ”O hábito já existente apresenta um circuito neural em nosso cérebro, e para ser ‘quebrado’ precisa ser desafiado para criar um novo circuito. Assim, a resistência em criar novos hábitos é perfeitamente natural por requerer um esforço, um gasto energético adicional ao qual o nosso cérebro não estava habituado”, explica Juliana Zellauy, especialista em comportamento e desenvolvimento humano.

A neurociência aponta alguns conhecimentos essenciais que nos ajudam a criar novos hábitos. Por exemplo, “encaixar” um novo hábito em uma rotina já existente facilita o processo de incorporar essa nova atividade mais rapidamente. Assim, quanto mais você realizar a mesma sequência de hábitos, mais esta trilha ficará marcada e assim, naturalmente a nova ação será efetivamente incorporada.

Além disso, de acordo com Shawn Achor, pesquisador da Universidade de Harvard: “se você puder fazer o novo hábito ficar de 3 a 20 segundos mais fácil de começar, suas chances de realizá-lo aumentam drasticamente“. Assim, se quiser aprender a tocar violão, correr, comer de forma mais saudável, a dica é deixar o violão, o tênis e os alimentos saudáveis fáceis e à mão. Nesse mesmo sentido, deixe o que pode sabotar você (por exemplo alimentos não saudáveis) distantes e de difícil acesso.

Mais um fator decisivo para dar um start em algo novo é ter uma intenção forte. O que pode ajudar nisso é ter uma rede de apoio, seja de familiares, amigos ou mesmo desconhecidos com o mesmo desafio em comum, pois ela nos ajuda a manter a motivação mesmo nos momentos mais desafiadores ou quando estamos sem energia para prosseguir. Além desse apoio, ser compreensível consigo mesmo, saber que você pode melhorar sempre, é o apoio mais importante que a pessoa deve receber.

Além da intenção bem definida e do apoio interno e externo, o primeiro passo para colocar um novo hábito em sua rotina é ter uma espécie de plano de aprendizado, onde o indivíduo deixa muito claro o “porquê” está fazendo isso, “como” irá consegui-lo – quais estratégias irá adotar – e “o que“, ou seja, quais ferramentas e recursos necessitará para conquistar o objetivo.

Em seguida, após algumas repetições, é necessário avaliar as conquistas e, se necessário, aprender com os erros que o impediram ou dificultaram a criação do novo hábito. A partir disso define-se novas estratégias para retomar a trajetória rumo ao atingimento do objetivo inicialmente proposto. Nessa fase, a pessoa deve também comemorar as pequenas vitórias, justamente para fortalecer o “Sistema de Recompensa Cerebral”, visto que ele é uma área essencial para a criação de novos hábitos e o estimulará, por meio da liberação de hormônios relacionados ao prazer, a repetir aquela ação.

Finalmente, por meio da repetição, os novos hábitos se tornarão cada vez mais naturais e automatizados requerendo cada vez menos energia, conforme o novo circuito neural é criado no cérebro. Em outras palavras, quanto mais você repeti-lo, mais fácil será.

Vale lembrar como funciona o Sistema de Recompensa Cerebral, chave para criar um hábito novo. Este é o circuito que processa a informação relacionada à sensação de prazer ou de satisfação. Quando realizamos uma ação que nos dá prazer, temos uma liberação de dopamina, um neurotransmissor que ativa este sistema em nosso cérebro. Ou seja, sempre que executamos aquela ação, cria-se um desejo de repeti-la, sendo por isso ser tão difícil largar velhos hábitos.

No entanto, podemos usar este mecanismo também para criar novos hábitos. Suponha que a pessoa ame brigadeiros. Toda vez que come um brigadeiro, este sistema é acionado, fazendo com que ela queira repetir esta ação. Mas caso esteja exagerando na dose e queira reduzir o consumo do doce, o indivíduo pode criar uma outra forma de sentir prazer com aquilo.

Como? Juliana esclarece: ”por exemplo, toda vez que conseguir dizer não para o brigadeiro, ele mentalmente vai se parabenizar por isso, criando um valor emocional positivo. Ou toda vez que comer um alimento mais saudável ao invés do doce, poderá pensar em como é bom se cuidar, que o seu corpo merece este cuidado. Trata-se de substituir o prazer de uma coisa pelo prazer de outra. Desde que seja repetida diversas vezes, esta ação remodelará o cérebro de uma forma que seja mais positiva para o indivíduo”, explica a especialista.

Ela ainda reforça que “a repetição é crucial, visto que é justamente ela que permitirá o desenvolvimento de uma nova trilha cerebral que criará um novo circuito neural, permitindo assim o desenvolvimento de um novo hábito”.

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Vanessa Kopersz Ming

Type Assessoria de imprensa

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