Revista Statto

REALIDADE COM AÇÚCAR

17/02/2021 às 19h01

Como poderíamos descrever uma pessoa apaixonada e romântica?

Para isso, vamos fazer uma comparação: você já deve ter ouvido que as avós são chamadas de “mães com açúcar”. Socialmente se utiliza essa expressão porque com as avós as crianças costumam receber uma atenção adicional, uma permissão maior do que a dada pelas mães para ir além das regras e costumes e um olhar atencioso que apenas diz sim.

Poderíamos adaptar a expressão “mãe com açúcar” e falar que a vida de uma pessoa romântica e apaixonada é uma “realidade com açúcar”.

Quando estamos apaixonados e somos correspondidos, a sensação é de que tudo podemos, de que junto a outra pessoa nos complementamos e nos encontramos no olhar, no toque, no desejo.

O mundo e a vida continuam organicamente a acontecer da forma como sempre aconteceram, entretanto, a realidade se torna mais doce e suave.

A doçura se manifesta na forma de ver o mundo, que é observado naquilo de mais positivo que possui.

Pessoas românticas veem seus pensamentos fugirem de si e encontram no outro uma razão para sonhar.

O desejo de pessoalizar a relação cresce e a criatividade se expande. Logo, românticos costumam se expressar em palavras, sons, gestos e agrados na busca de suspirar e fazer suspirar.

E a projeção, nesses casos? Ela sempre existe na paixão e no romantismo. Mas não é apenas isso, especialmente quando a paixão é correspondida. Nessa “realidade com açúcar” destinamos pouca atenção aos limites e, tal qual um avião, nos sentimos prontos para decolar e voar constantemente.

O combustível dos românticos é a paixão: projetar, descobrir, sentir e admirar.

Dia desses me perguntaram se eu penso que o romantismo é ruim. Na verdade, eu penso que viver dessa forma é maravilhoso.

Acredito que a criatividade está associada ao fluxo de energia presente na paixão, e que junto aos românticos essa energia além de quente se torna doce.

Eu, particularmente, não vejo uma forma melhor de viver a vida!

Numa sociedade em que as pessoas sofrem buscando o controle sobre si, sobre a vida e até sobre os outros (um controle ilusório que não existe e nunca existirá), se permitir viver uma paixão de forma romântica junto ao outro é se permitir viver num fluxo de vida no qual não há controle.

Entre as inúmeras metáforas possíveis sobre paixão, gosto bastante da comparação com o mar. Para mim ele é uma força da natureza incrível: poderoso, vasto, riquíssimo e surpreendente. Não há como controlar o mar.

A paixão real também não pode ou não deve ser controlada.

É claro que, assim como a forma mais saudável de entrar no mar é passo a passo, na paixão também. Por isso, por mais “descontrolado” que alguém esteja ao se entregar a uma paixão, cada coisa tem o seu momento e a cada profundidade alcançada é preciso de amparo adequado.

Logo, eu recomendo que você viva suas paixões. Sejam elas por outra pessoa, pelo seu trabalho, por seus filhos, por você mesmo. Mas viva com respeito e com fluidez, pois essa realidade com açúcar está por aí esperando para ser completamente saboreada.

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