Revista Statto

1/3 de 2019

01/04/2019 às 08h31

Em torno de três meses atrás, chegou o ano de 2019. Tantas notícias de acontecimentos negativos têm nos encontrado. Ficamos perplexos, horrorizados, espantados.

Parece que a cada ano que se passa, o mundo fica pior e com base nisso, começamos a acreditar que cada vez será mais difícil ter segurança, criar filhos, ter uma vida “normal”.

Surge a impressão de que criamos o hábito de alimentar notícias ruins. Toda notícia gera um alvoroço, especulações, um sensacionalismo, um exagero. Parece que estamos esperando que coisas cada vez piores aconteçam.

Já tentamos procurar entender o porquê de tantos acontecimentos ruins? Será que tudo que tem ocorrido não serve para tirarmos alguma lição e mudarmos alguma coisa, começando por nós mesmos?

Criticamos os governantes, os empresários, a internet, as escolas, os pais, e tudo que estiver cabível de receber crítica.

E nós, temos nos autocriticado?

O que temos feito de positivo em relação a tudo de ruim que tem acontecido?

Ou melhor, o que temos feito de bom que ajuda a melhorar o mundo, mesmo que seja algo pequeno? Veja, “algo que ajude a melhorar o mundo”, não apenas algo em função de nosso próprio umbigo.

Representa que quanto mais bens obtemos, mais queremos adquirir. Quanto mais conquistamos, mais queremos apoderar. Nada nos parece ser satisfatório.

A ambição é uma virtude, nos impulsiona, nos leva para frente, nos tira da zona de conforto, nos faz evoluir.

A ganância, nos perverte, nos cega, nos torna escravos de nós mesmos.

Nosso tempo é cada vez mais corrido, tudo é para “ontem”.

“Tempo é dinheiro! ”

Não conseguimos um tempo para dar atenção aos nossos filhos, ao nosso lar, à nossa família. Mas conseguimos tempo para coisas fúteis e supérfluas.

Paciência tem se tornado uma virtude rara. O estresse tem nos consumido.

Para “compensar” nossa ausência para com nossos filhos e para que estes não fiquem nos “atordoando”, insistindo que “contamos-lhes histórias” ou que brinquemos, lhes damos celulares, tablets, etc.

Nessa peça de teatro chamada “problemas do mundo”, entendemos que não somos os vilões, somos apenas “os mocinhos indefesos”. Será isso mesmo?

Não compreendemos porque as coisas tomaram o rumo em que se encontram e porque a geração atual é de tal forma tão “complicada”.

Será que temos nossa parcela de culpa em tudo de negativo que tem ocorrido ou, somos apenas vítimas?

Facilmente criticamos, por exemplo, o filho do vizinho porque jogou lixo no nosso quintal. Reclamamos, ficamos irritados e até mesmo raivosos. Mas quando foi que chamamos essa criança para conversar ou instruir? Não fazemos isso pois não é nosso filho, “os pais que devem educar, ou a escola”.

Evitamos o diálogo porque entendemos que algumas coisas não são de nossa responsabilidade e também pensamos que arrumaremos confusão para nosso lado. Não temos tempo e nem disposição para isso, pois estamos ocupados demais com nossos afazeres e interesses próprios.

Uma ação de boa vontade, um pouco de sabedoria ao se expressar, a busca de um diálogo inteligente e sensato, é capaz de “derrubar muros e construir pontes”.

Como disse Buda, “jamais, em todo o mundo, o ódio acabou com o ódio; o que acaba com o ódio é o amor. ”

A todo momento existe algo no mundo em que podemos contribuir de forma positiva. Porém cabe a cada um abrir ou fechar os olhos para a realidade que nos cerca.

Também é válido mencionar que muitos que fazem boas práticas, são motivados por sua vaidade. Atuam na busca de reconhecimento, pela necessidade de “aparecer”, e não pelo exercício do bem em si. Sejamos sinceros em nossas boas ações. É preciso verdade para colher resultados permanentes e consistentes. “Não saiba a tua mão esquerda o que faz a direita”.

Tempo para semear e cultivar o bem, sempre existe. Nós somos donos do nosso presente. O nosso tempo, somos nós que criamos. Temos o poder de definir as prioridades e o que realmente importa. Podemos escolher os frutos que queremos colher, conforme o que semearmos.

Vamos parar de maldizer o planeta Terra, ele é um lugar bom, temos tudo o que precisamos, só que não sabemos usufruir. O problema não é o mundo, o problema somos nós mesmos.

Mais cedo ou mais tarde, teremos que prestar contas da nossa inutilidade humana. No caso, parece que isso já está acontecendo.

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Ana Roberta Afonso Pereira

Por

@joana.engEngenheira Civil. Lucas do Rio Verde/MT