Revista Statto

SER DE VERDADE

31/12/2021 às 16h09

Quando eu era criança a espontaneidade fazia parte dos meus dias. Eu não escondia o que sentia. Se não gostava de alguém fechava a cara e não respondia. Era nítida minha reprovação ou admiração. Depois de um tempo na vida adulta acabei aprendendo a encenar para não desagradar ninguém. Mas já faz tempo que sei do meu valor e não me desdobro para agradar e tampouco para passar uma imagem de pessoa absolutamente resolvida. Foi me permitindo errar e reparar meus erros que aprendi a me escolher em primeiro lugar e foi ficando mais “humana” que consegui mais proximidade e até compreensão dos outros.

Venho desenvolvendo ao longo da vida a capacidade de ficar vulnerável, peito aberto, pronta para o que vier e disposta a encarar o que for preciso. Muitas vezes até diminuindo meu prestígio e admiração de alguns, mas com uma coragem absurda de deixar ser vista com todas as minhas imperfeições, limitações e também frustrações. Com o tempo a gente aprende a falar a verdade sem dor ou vergonha.” Puxa, eu apostei que seria para sempre mas acabou “; Esperei por aquele cargo que nunca chegou” ou ” Estou com medo, nem sempre consigo resolver tudo sozinha.”

Ser de verdade envolve também mostrar aquela parte da história em que perdemos o jogo, não completamos a prova ou desistimos pois faltou força, fé ou até mesmo porque mudamos nossos planos.

Nenhuma história tem só aplausos e comemorações, pelo contrário, o caminho na maioria das vezes é solitário, silencioso e sem nenhum resquício de reconhecimento externo. Mas mesmo assim, temos vontade de continuar contando, procurando rotas diferentes e ousando mostrar as falhas e o que fizemos delas para continuar seguindo.

Mais importante que estar sempre bonito na foto e bem na fita é estar de corpo e alma no enredo, reconhecendo o valor dos dias de incompletude e das horas de exaustão. Nem sempre seremos brilhantes, recordistas, melhores em tudo. Aliás, seremos lembrados principalmente pela nossa humanidade perpetuada em nossos momentos de derrotas e faltas. E tudo isso pede desapego  dos resultados e também da vaidade que veste um escudo com a ilusão de eterna perfeição.

Nessa vida todos estamos buscando ser feliz, cada um a seu modo. Então, se quiser uma dica: aceite suas imperfeições e melhore o que puder mas não se compare nunca. Quem olha demais para a vida alheia é porque não acredita na força que tem. No final das contas, todos precisamos um dos outros. Lute pelos seus sonhos mas não esconda suas dores. Não há vida mais bonita e admirável do que aquela que se vive com entusiasmo mas também com humildade…

Compartilhe!
SOBRE O AUTOR

Por

POSTS RELACIONADOS
COMENTÁRIOS

0 Comentários

ESCREVA UM COMENTÁRIO

Seu e-mail não será publicado. Campos marcados com * são obrigatórios.

IMPORTANTE!
As informações recebidas e publicadas são de responsabilidade total de quem as enviou. Apenas publicamos as matérias e notas que as assessorias de imprensa nos passam. Qualquer problema, envie-nos e-mail relatando o ocorrido que transmitiremos aos devidos responsáveis.
desenvolvido porDue Propaganda