Revista Statto

VOCÊ NÃO É UMA ÁRVORE

10/04/2019 às 10h01

A decisão de sair da zona de conforto, vem sempre justificada por necessidades pessoais que temos, e cada um às compreende de sua forma.

Alguns não têm esse anseio. Talvez ainda não encontraram a necessidade disto, ou as condições em que se encontram, lhes é suficiente.

Outros têm receio do desconhecido, do incerto. A ideia de arriscar “trocar o certo pelo duvidoso”, ou de ter de ficar longe de casa, de permanecer muito tempo sem estar com a família, os amigos, não lhes parece nada agradável. Enfim, imaginar sair para fora daquela “placenta” onde vivem, lhes angustia.

Quando você está acostumado a viver em uma rotina confortável, não é nada fácil subir até o topo da montanha, olhar para o abismo a sua frente, olhar para trás e ver o que está deixando, e mesmo assim ter ânimo de bater as suas asas e tentar voar.

Deixar a zona de conforto é ir atrás de novos desafios, é ir à procura de oportunidades, ou de até mesmo criá-las. Você se torna o empreendedor de uma empresa chamada “sua vida”.

Nesse empreendimento, você tem que estar motivado pelos resultados positivos que lhe aguardam lá na frente. Mas também deve estar ciente dos obstáculos nada simples que virão, pois como todo bônus, existe o ônus. E mesmo assim, persistir, até que sua consciência leve e de dever cumprido, lhe diga, “não foi fácil, mas consegui”.

Dali para frente estarão as situações onde você mais irá errar, mais terá que lutar e mais irá sofrer. Porém, será a partir dali, que você mais irá adquirir sabedoria e onde mais irá evoluir.

Existirão muitas fases de mudanças e adaptações. Algumas circunstâncias fugirão do seu controle e do seu planejamento. Será preciso buscar modificar o que poderá ser mudado, e será preciso se adequar ao que não puder ser ajustado.

“Não é o mais forte que sobrevive, nem o mais inteligente, mas o que melhor se adapta às mudanças. ”

Sair da zona de conforto é ir atrás daquilo que faz seu coração vibrar. É buscar por algo que você sente que precisa fazer para preencher algum tipo de vazio que lhe exista, mas não um vazio relacionado à matéria, mas sim à sua bagagem de vida, algo que ficará com você mesmo depois que perder todo o resto.

É se arriscar, e principalmente, é estar disposto a dar o seu melhor. É compreender que as vezes, mesmo que você faça tudo o que puder, isso não será suficiente, e mesmo assim continuar tentando.

Uma hora o insucesso pode ser inevitável, e neste momento, que de fato, você mostra quem você é.

“Chegar ao fundo do poço, é inevitável; permanecer lá, é optativo. ”

É preciso ter disposição e otimismo, para que mesmo em meio ao caos, ser capaz de encontrar alternativas, soluções, e alavancas para progredir.

Depois que você passa por algumas situações complexas, você passa a analisar muitos detalhes que antes lhes passavam despercebidos. Passa a valorizar o que lhe parecia trivial.

Em relação aos seus pais, especialmente, você percebe que quando vivia junto deles, “era feliz e não sabia”. Ah, como ao final daquele dia tão atordoado seria apropriada uma companhia fraterna, simples, amorosa. Uma conversa distraída, uma refeição preparada com amor e com carinho. Tudo parece ficar mais fácil quando você tem seus pais por perto.

“Você culpa seus pais por tudo, isso é absurdo

São crianças como você

O que você vai ser

Quando você crescer? ”

Antes, você os criticava, hoje você se compara a eles, compara sua época com a mesma época deles, compara as oportunidades que tiveram com as que você tem, e você conclui que eles foram heróis. Você faz uma autocritica, buscando saber se está dando o melhor de si.

Você amadurece e também cria seu próprio estilo de vida. Quando você visita seus pais, sente-se um pouco deslocado. Todos aqueles costumes lhes são familiares, porém você percebe criou seus próprios hábitos. Você nota que vocês são tão parecidos, mas ao mesmo tempo, são bem diferentes. Percebe que este tempo longe, tem te moldado.

Às vezes, você deixa de ligar ou mandar mensagens para seus pais. Eles ficam tristes, revoltados, entendem que você está “tão bem” que lhes esqueceu. Bom se fosse isso mesmo! Quantas vezes você evita se comunicar para não deixar transparecer o “chão que desaba aos seus pés”, para poupá-los de preocupações. Ou esforça-se, ao fingir que está tudo bem, quando na verdade está tudo de “cabeça para baixo”.

Nestes períodos fora da zona de conforto, você encontra amigos no caminho. Alguns se tornam seus irmãos, e outros você descobre que na verdade, nunca foram seus amigos. Alguns apenas se aproximam por algum interesse e outros se afastam pelo mesmo motivo.

Existem comentários levianos de quem não está “calçando seus sapatos”. O segredo é não dar ouvidos e seguir seu caminho, pois só você sabe o que tem passado e só seu coração é capaz de descrever onde você quer chegar.

Em alguns dias você não está com sua a saúde 100%, ou por um motivo ou outro, seu dia simplesmente está “nublado”. Mas mesmo assim, tem que seguir em frente com o que lhe compete. O mundo não é como sua mãe, que se comove e lhe serve um chá. O mundo não para porque você não está num dia bom. “Quer um chá? Faça você mesmo, quando conseguir! ”

Também existe algo muito especial nestas idas e vindas. Refere-se à quando você volta para o lugar de onde partiu. Você sente gratidão. Gratidão por aqueles que mesmo à quilômetros de distância, sempre estiveram com você. Gratidão também por pessoas que de você, achava que nem se recordavam, e num dia que você pede uma ajuda, te ajudam e te dizem “claro que eu me lembro de ti, no que puder, vou te ajudar”, são luz em sua caminhada. Estas coisas não têm preço, por isso que podemos apenas dizer: “gratidão”.

Sair da zona de conforto é libertador, é gratificante, é se sentir capaz de alcançar seus objetivos com seus próprios méritos.

É se levantar mais forte a cada queda, sempre levando no bolso um bilhete dizendo para evoluir, mas sempre preservar a sua essência, assim como “uma árvore troca suas folhas, mas mantém suas raízes”. A diferença entre você e uma árvore, é que esta é fixa onde está e você tem a oportunidade de ir para onde quiser.

“Um dia, quando olhares para trás, verás que os dias mais belos foram aqueles em que lutaste. ”

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