Revista Statto

JANINE ALMEIDA

11/12/2019 às 10h22

No mês dedicado a prevenção e conscientização do câncer de mama, denominado outubro rosa, vamos conversar e conhecer um pouco da história dessa grande mulher, mãe, empresária e batalhadora, Janine Almeida, com 42 anos, nascida em Júlio de Castilhos, casada com o Marcos, mãe da Gabriela e do Felipe, proprietária da Granulare, na Floriano Peixoto 1.250, que se divide entre a Tupanciretã onde reside e Santa Maria para realização do tratamento de saúde que necessita.

* Mudança de cidade

Está sendo ótimo estar em Santa Maria, pois já estava acostumada a vir para cá desde pequena, por causa de uma parte da família que mora aqui.

* Empreendedora

A ideia surgiu depois do término do meu primeiro tratamento de câncer de mama, que foi diagnosticado em 2017 e, após esse tratamento, meu marido me oportunizou um negócio, como forma de usar meu tempo entre um tratamento e outro, aliado a oportunidade de conviver com outras pessoas e fazer novas amizades. Com isso, realizei meu sonho, de ter meu próprio negócio, pois sou muito ativa, não gosto de ficar parada.

* A descoberta do câncer e administrar essa nova situação.

Ficar doente nunca é uma coisa boa, quando fiquei sabendo que tinha câncer de mama eu tinha 39 anos, foi um choque muito grande, que me abalou muito, principalmente porque não se sabe o que vem pela frente. Não tem como negar, me atingiu profundamente, tive meu momento de dor, reflexão, aceitação e superação. O segundo câncer foi descoberto agora em janeiro de 2019. Um câncer ósseo. Que agora revezo com a rotina de trabalho, duas casas, família, cidade, tratamento e ainda cuidados pessoais com minha saúde.

O momento mais difícil e engraçado, foi contar para meu filho que eu tenho câncer, e ele, na sua inocência me disse “mãe eu não quero passar o resto da minha vida comendo pão com ovo”. O motivo foi que tiver que realizar toda uma bateria de exames em Santa Maria e ele ficou em casa com o pai, que algumas vezes fazia pão com ovo, ou seja, acabaram marcando ele, por não ser aquela dedicação de mãe preparando cada dia uma coisa, e levando tudo na mão.

No meio do meu sofrimento, sem saber qual seria a reação dele com aquela notícia difícil, comecei a rir, quando ele falou isso. E então nesse momento, senti alívio e senti que ao lado dele (Felipe), da Gabi e do Marcos, tudo ia ser bem mais fácil. Por que eles estariam comigo, segurando a minha mão, até o dia da vitória. E assim foi, enfrentamos e estamos sobrevivendo dia após dia, família é tudo, fé, amor e união.

* Amigos

Com essa mentalidade e força de vontade, estou dia após dia aprendendo a conviver com essa doença, e uma frase que faz parte e define minha trajetória com essa doença é “tenho câncer, mas o câncer não me tem”, ou seja, mesmo tendo de enfrentar essa batalha, estando no pior dia, deitada, sozinha, minha motivação é ter família, fé e amigos e que existem coisas piores, tem pessoas em pior situação, esse é e sempre será o motivo de levantar da cama os dias e seguir em frente

* Perda do cabelo

Esse é o momento mais difícil, pois o cabelo é a moldura do rosto feminino e sinônimo da vaidade da mulher, dói muito essa perda, pois não cai somente os cabelos da cabeça, caem sobrancelhas, cílios, todos os pelos do corpo, o pior é se olhar no espelho e ver uma estranha no reflexo, isso é aterrador, é muito difícil, mas, novamente digo, tudo é força, tudo é fé, tudo é se superar, eu fiz um longo exercício de aceitação, até o dia que me olhei no espelho e disse sorrindo pra mim mesma eu tenho câncer e vou vencer, mesmo sabendo que vou ter que aprender a conviver com isso até o fim dos meus dias.

* Prevenção

Não deixe para mais tarde, isso que toda mídia diz, “faça exame após os 40 anos”, não é verdade, faça o autoexame sempre, novinha, jovem, de mais idade, ou seja, essa doença que no mundo todo dizima e ceifa muitas vidas, não escolhe faixa etária, digo isso porque eu descobri aos 39 anos, fazendo um autoexame no pós banho, fui passar um creme no corpo e senti um carocinho no seio e nesse momento tive um grande choque, pois sabia através de propagandas e agora na prática, de tudo que uma mulher passa quando diagnosticada com câncer de mama. Depois da minha descoberta, procurei me informar mais ainda e é alarmante o número de casos de câncer em mulheres cada mais novas. Portanto o autoexame é tão importante e deve fazer parte do dia a dia de toda mulher. Só para dar um exemplo, um ano atrás havia feito minha mamografia preventiva e um ano após fui diagnosticada portadora de câncer de mama e para piorar de um muito agressivo.

* Ajuda

O maior aprendizado que tirei disso tudo, que sim, virou minha vida de cabeça para baixo, é que essa doença veio para me mudar, para me fazer crescer, mesmo que todo mundo diga e pense que é um castigo, porque que aconteceu comigo, e fique tentando achar um motivo para ter essa doença, ou seja, minha vida mudou, tanto como hábitos, como pessoa, mãe, mulher, amiga, ser humano.

A partir da doença conheci pessoas motivadoras que me fizeram ver o lado bom desse problema, a exemplo do Rodrigo e da Tati Debiasi, foram pessoas que a doença me apresentou, e que foram essenciais durante o tratamento e no pós-tratamento. Eles nem sabem, que foram toda essa inspiração para mim. Foram grandes incentivadores de mudanças na minha vida, aceitação, equilíbrio, força, enfrentamentos. Foram alguns dos presentes que a vida me deu. Uma nova oportunidade de ver a vida.

* Motivação

Procure ajuda, pode ser de um familiar, de um profissional, ou até mesmo de alguém em quem você confie, que possa dividir suas angustias, medos, tristezas, decepções, incertezas, que lhe motive a ter esperança que com o avanço da medicina, sim é possível ter qualidade de vida e conviver com esse problema, pois, hoje em dia existe muita ajuda e o essencial é mudança de vida, isso sim é a razão principal da aceitação da boa convivência com a doença, pois o que sempre digo, o câncer só me fez bem, pois me proporcionou crescer como pessoa, ver a vida com outros olhos, a dar valor a vida, me ensinou a me amar a me cuidar mais, e ter muita esperança. Pois dias alegres só trazem coisas boas, positividade, amor, fé, isso faz a vida valer apena e lutar para vencer essa doença.

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