Revista Statto

COMO HARMONIZAR RELAÇÕES AFETIVAS

14/06/2021 às 21h11

A história de Nasrudin

Certa tarde, conta uma antiga história sufi, Nasrudin tomava chá e conversava com um amigo sobre a vida e o amor.

  • Por que você não se casou, Nasrudin? – Perguntou o amigo.
  • Bem, respondeu Nasrudin, para dizer a verdade, passei toda a minha juventude a procurar a mulher perfeita. No Cairo, conheci uma moça linda e inteligente, com olhos que pareciam olivas pretas, mas ela não era muito cortês. Depois, em Bagdá, conheci uma mulher de alma generosa e amiga, mas não tínhamos muitos interesses em comum. Muitas mulheres passaram pela minha vida, mas em cada uma delas faltava alguma coisa, ou alguma coisa estava demais. Então, um dia, eu a conheci. Era linda, inteligente, generosa e bem-educada. Tínhamos tudo em comum. Na verdade, ela era perfeita.
  • E então, replicou o amigo, o que aconteceu? Por que você não se casou com ela?

Pensativo, Nasrudin sorveu mais um gole de chá e concluiu:

  • Infelizmente, parece que ela estava à procura do homem perfeito.

Como Nasrudin, quase todos nós queremos encontrar a perfeição fora de nós mesmos. Criamos em nossa cabeça a imagem ideal da mulher ou do homem que buscamos, projetamos essa imagem em cima da namorada ou namorada, da esposa ou do marido, e queremos que ela ou ele corresponda a essa imagem. Ao alimentar essa expectativa utópica, perdemos a capacidade de entender e gostar do ser humano real ao qual nos ligamos. E, muitas vezes, como ela ou ele não pode corresponder a essa expectativa – pelo simples fato de que ela é produto da nossa idealização e dos nossos desejos fantasiosos -, acabamos, frustrados, por rejeitar a pessoa com quem nos relacionamos, quase sempre sem ter sequer “conhecido” essa pessoa.

Tais deficiências quase sempre são de mão dupla: quem não tem visão do outro em geral também não consegue ver com nitidez a si próprio. Vive um personagem fictício em relação à sua própria pessoa, e um outro personagem fictício projetado sobre a companheira ou companheiro. Essa relação entre dois seres imaginários transforma-se rapidamente num teatro do absurdo que se desenrola no interior da própria pessoa, levando-a a um permanente estado de frustração e sofrimento. Porque teatro tem hora. Qualquer teatro pode refletir aspectos da vida, mas nunca é a própria vida.

Estratégias para uma relação consciente:

  • Não importa o tema em discussão, ele não é a questão real. O primeiro passo para uma relação consciente é olhar para dentro de si mesmo e perceber o que ocorre quando você discute algo que o incomoda. Exemplo: se seu parceiro chega sempre atrasado, e isso provoca discussão, você precisa descobrir por que esses atrasos o incomodam. Pode ser que os interprete como falta de atenção e cuidado, e se você acha que ele não se preocupa com você, será difícil confiar nele.
  • Use a relação como um espelho. Toda vez que você reage a alguma coisa de seu parceiro, seja positiva ou negativamente, isso é reflexo de algo que existe em você. Exemplo: se você se sente atraído pela generosidade e entusiasmo do seu parceiro, estas podem ser qualidades que você deseja desenvolver mais plenamente em si mesmo. Por outro lado, se sente que seu parceiro não é amoroso e dadivoso como você gostaria, isso geralmente significa que você não está sendo amoroso e dadivoso consigo mesmo.
  • Desenvolva uma permanente disposição para olhar dentro de si mesmo e descobrir o que realmente está acontecendo. Este é o passo mais importante para uma relação consciente: dispor-se a perceber o que se passa dentro de você, em lugar de procurar respostas e soluções na outra pessoa ou na própria relação.
  • Assuma a responsabilidade pela sua própria experiência. Exemplo: não procure o seu parceiro para que ele o faça sentir-se bem. No instante em que faz isso, você se coloca no papel de uma criança que vai atrás dos pais em busca de comida. Isso faz com que você permaneça fixado em padrões infantis de comportamento. Em vez de ver seu parceiro como a fonte da felicidade, pergunte-se o que você busca nele e que, na verdade, deve encontrar e desenvolver em si mesmo. Torne-se responsável pela sua própria plenitude.
  • Fique amigo de você mesmo. Desenvolva aquilo que o budismo chama de “amorosa bondade” – um estado de benevolência e boa vontade em relação às coisas e lugares de você mesmo onde você precisa crescer. Seja gentil consigo mesmo: estabelecer uma relação consciente exigirá muita força e coragem.

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A inteligência sem amor te faz perverso.

A justiça sem amor te faz implacável.

A diplomacia sem amor te faz hipócrita.

O êxito sem amor te faz arrogante.

A riqueza sem amor te faz avarento.

A docilidade sem amor te faz servil.

A pobreza sem amor te faz orgulhoso.

A beleza sem amor te faz ridículo.

A autoridade sem amor,

 te faz tirano.

O trabalho sem amor, te faz escravo.

A simplicidade sem amor te deprecia.

A lei sem amor te escraviza.

A política sem amor te deixa egoísta.

A vida sem AMOR… não tem sentido.

Este artigo teve a contribuição do amigo Claudio Semionovas (em memória)

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