Revista Statto

ENTENDENDO OS RELACIONAMENTOS ABUSIVOS

18/01/2021 às 17h44

As coisas ficaram bastante complicadas depois do nosso acesso às redes sociais. Mas ao mesmo tempo ficaram mais fáceis. A questão é que algumas coisas simplesmente se multiplicam pela rede e muitas vezes conceitos errados sobre temas complexos. Um desses temas são os relacionamentos abusivos.

Assistimos um dia desse uma atriz o que chamou de abusivo o relacionamento que teve com um cantor. Sinceramente, eu nem acompanhei muita história para dizer que está certo ou quem está errado. Mas sei que a tendência é de não dar credibilidade para a mulher. A mulher tende a ser vista como louca, exagerada, vítima. Então é importante – para que não cometamos injustiças – que saibamos o que é de fato um relacionamento abusivo.

Relacionamento abusivo não é somente agressão física ou sexual. Na realidade, essa seria a última etapa de um relacionamento abusivo. Relacionamento abusivo pode nem chegar nesse ponto, e mesmo assim ser bastante prejudicial.

Existem diferentes tipos de abuso – desde colocar a outra pessoa para baixo, xingamentos, desmerecer a opinião do outro, desrespeito – até mesmo um tipo de abuso financeiro, em que o outro não pode sair da relação por questões econômicas. Na realidade, uma pessoa abusadora vai usar o que tiver ao seu alcance para manipular e controlar o outro.

A maioria das mulheres que eu atendi vieram para a terapia por problemas como depressão, mas no final das contas estavam sim relacionamentos bastante abusivos e, pasmem, nem ao menos sabiam disso.

Quando o outro te machuca entenda o contexto disso. Se vocês estiverem na maior briga do mundo e outro – que nunca falou nada sobre você – de repente solta alguma coisa, isso pode sim ser somente uma raiva um descontrole passageiro. Mas se isso se repete, até mesmo fora de brigas, possivelmente você está num relacionamento abusivo.

O abusador gosta de ser cruel. Gosta de “brincadeirinhas” que levem o outro ao seu limite emocional. Mas essas “brincadeirinhas” não têm nada de engraçadas. Geralmente para desmerecer o outro, para que o outro se sinta menor do que ele isso possa manter o padrão de controle.

Se você sente que chora mais do que ri dentro de uma relação, possivelmente tem alguma coisa muito errada. Mas não vá procurar isso no outro, procure primeiro em si mesma. Já vi casos de casais em que o homem era abusador, e com a mudança do comportamento da esposa ele também mudou.

Mas isso não é uma regra. Infelizmente é uma exceção. Se você sentir que não está bem dentro de uma relação, e parece que só você acha isso é hora de reavaliar. Relacionamentos dão um trabalho, eles por vezes são difíceis, mas não devem causar mais dores sofrimento do que estar só.

Quem olha para fora sonha; quem olha para dentro desperta” – Carl. G Jung.

@andreapavlo

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