Revista Statto

EMPATIA VERSUS COMPAIXÃO EM TEMPOS DE PANDEMIA

15/04/2021 às 10h03

Entenda a diferença entre empatia e compaixão e por quê a primeira pode gerar Burnout, enquanto a segunda consegue empoderar

Em tempos de pandemia nos quais nos deparamos com tanto sofrimento e tantas mortes, é comum nos solidarizarmos com muitas pessoas e situações. Nesse contexto nos vemos ora sendo empáticos, ora solidários. Mas ao contrário do que muita gente pensa, esses sentimentos não são exatamente os mesmos. Empatia e compaixão guardam diferenças. Segundo a especialista em neurociência e comportamento Juliana Zellauy, ”empatia envolve ser capaz de se colocar no lugar do outro compreendendo suas emoções, entender seus pontos de vista e comportamentos. Já a compaixão é uma emoção mais proativa que a empatia, pois nela, além de sentir e entender o outro, temos o impulso de ajudá-lo”, diz ela.

Na verdade, enquanto na empatia apenas sofremos com a o outro, permanecendo no mesmo estado que ele; na compaixão além de sentir o que o outro sente, buscamos ajudá-lo. Assim, não apenas nos empatizamos com o seu sofrimento, mas procuramos solucioná-lo ativamente. Ou seja, o primeiro sentimento é mais passivo, enquanto a compaixão é mais ativa.

E nem sempre a empatia pode ser exatamente positiva ou benéfica. ”Nos casos de profissionais da saúde ou pessoas que trabalham em organizações que lidam com situações de sofrimento como com crianças, idosos ou animais em situação de risco, é comum acontecerem os casos de Burnout quando este sentimento de empatia está excessivamente aflorado”, explica Juliana. Por vivenciarem este sofrimento regularmente, esses profissionais sofrem um contágio emocional onde são profundamente influenciados pelo sofrimento do outro até atingir uma verdadeira estafa mental (Burnout). Além disso, um sociopata ou uma pessoa com personalidade antissocial, pode até sentir empatia, ou seja, se colocar no lugar do outro compreendendo suas emoções e comportamentos, mas usar isso contra a pessoa, não demonstrando, portanto, compaixão.

O antídoto para essas questões anteriormente descritas, é justamente o trabalho com a compaixão, por permitir sentir o que o outro sente, mas de alguma forma buscar ajudá-lo a sair desta situação. ”A compaixão funciona então como uma proteção por despertar o senso de responsabilidade. Essa responsabilidade gera empoderamento: ao fazer com que o indivíduo se sinta responsável por algo, faz com que saia do papel de vítima e se torne o protagonista, ou em outras palavras, se empodere. Nesse sentido, talvez a pessoa não possa solucionar terminantemente os sofrimentos de alguém, mas ao apenas desejar algo bom a ela, gerará conforto e bem-estar por saber que se está de alguma forma, fazendo o bem para aquele ser”, revela a profissional.

Nem que este “bem” seja simplesmente conversar, desejar coisas boas ou orar pelo outro. Além de gerar o empoderamento, a compaixão também promove outras emoções positivas como sentimentos de filiação e de amor, que comprovadamente favorecem o fortalecimento da resiliência e do sistema imunológico. Também tem se constado que pessoas com maiores pontuações em testes de medição da compaixão experimentam menor solidão, maior conexão e relações interpessoais mais satisfatórias.

E como exercitar a compaixão? Para Juliana, ”uma das maneiras de se exercitar a compaixão é por meio do fortalecimento da inteligência emocional do indivíduo, ou seja, fortalecer a capacidade de administrar suas emoções, sua capacidade de realizar escolhas de maneira consciente e compreender as emoções das outras pessoas”. Nesse sentido, uma maneira efetiva de se exercitar a compaixão é por meio da realização de práticas meditativas específicas como as práticas de Mindfulness da Bondade Amorosa, de Autocompaixão e as que favorecem o sentimento de interser, ou seja, de interdependência entre você e o outro. Áudios gratuitos dessas práticas guiadas podem ser encontrados em: https://insighttimer.com/juliana.z.feres

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