Revista Statto

ESPAÇO ACOLHEDOR, É ESSENCIAL PARA AMPLIAR A VISÃO DE MUNDO DAS CRIANÇAS

04/06/2021 às 15h04

Escutar o aluno, vai muito além de ouvir o que este diz, enquanto duas professoras conversavam sobre uma decoração, que seria feita na escola usando um galho de árvore seca, a professora Marieli Furtado do maternal 1, escuta de um dos seus alunos:

— Galho, é o marido da galinha…

Uau, isso foi tudo para que a professora, se atentasse a curiosidade das crianças, e ainda produzisse um material rico e investigativo.

Marieli, professora da escola Jardim da Infância em Campinas, estimou a curiosidade preparando um momento especial.

Iniciou uma roda de conversa questionando as crianças sobre o que seria um galho e onde ele fica, as respostas foram variadas.

  • Voa;
  • É de apanhar;
  • Tem na árvore;
  • É marrom …

Baseado na curiosidade dos pequenos o tal galho foi escondido … e para encontrar as crianças seguiam pistas que a professora mencionava quando estavam no parque. Ao chegar no parque havia alguns, materiais que não são habituais neste local e com isso, as investigações ampliavam a oralidade, curiosidade, percepção de espaço, autonomia e claro muita diversão.

Mas, afinal o que a professora preparou de material no parque?

As crianças encontraram uma corda, e ao pegar diziam umas, as outras:

— Isso não é galho, é de pular. E de amarrar.

Após explorar o significado e o significante deste objeto, procuravam outro material que poderia ser o misterioso galho.

Ops… achei uma coisa!

Independente de ser parecido com as características do galho dado por eles mesmos, havia algo ali também para explorar.

A maneira como isso ocorreu foi tranquila e livre, cada uma das crianças, tinha a liberdade de conhecer, tocar, sentir e descobrir mais um dos objetos, que cuidadosamente foi separado pela professora.

Para algumas crianças uma rápida olhadinha foi o suficiente.

Para outras, o toque e exploração ocorreu de maneira diferente, afinal o mundo social de cada uma delas não está “fechada” por idade e sim pela curiosidade que as cerca.

A visão de mundo para as crianças depende completamente do mundo que as cerca, que as envolve.

Então a liberdade em tocar, sentir: textura, peso, temperatura vai muito além de cada um deles.

Uma criança esteve satisfeita ao tocar, outra ao olhar, e para outra a necessita de interagir com o objeto faz toda diferença.

Como a criança vê ou quer descobrir o mundo esta muito nítido na escola Jardim da infância, pois aqui, elas podem descobrir saberes de várias maneiras e olhares.

Educação, para a maioria das pessoas, significa tentar levar a criança a parecer com o típico adulto de sua sociedade… Mas para mim, a educação significa fazer criadores… Você precisa torná-los inventores, inovadores, não conformistas” – Piaget.

Nesta perspectiva a exploração é essencial e esta que norteia o aprendizado das crianças.

Em determinado momento a professora Marieli, percebe que as investigações no parque estão perdendo o interesse, e isto faz com que ela retome a atenção das crianças.

Este olhar atento da professora faz com que os pequenos retomem a atenção de uma maneira lúdica.

Para isso, a professora começa a dar pistas de onde estaria o galho e agora elas dizem as crianças:

— Ainda não achamos o galho, para isso precisamos passar uma porta.

Mais que oralidade e noção matemática, a professora explora noção de espaço, pois as crianças precisam dentro de seus conhecimentos prévios buscarem onde há portas no parque.

Explorando outro espaço, as crianças encontram outra porta no parque, será que o galho estaria ali mesmo?

Olha que linda a imagem da criança apontada para além da porta.

Uma curiosidade que move, a busca por algo que ainda não tem certeza de como ser, mas a intensidade da vontade de encontrar o galho, faz com que as crianças busquem o seu objetivo.

Acharam! Tocaram! Sentiram a textura…

Que momento ímpar na vida dos pequenos, uma descoberta, que permitiu que eles explorassem, conversasse, trocassem saberes e acima de tudo, puderam brincar sendo crianças e aprendendo de uma maneira que vai além do lápis e papel.

Após, tudo isso professora retoma com eles numa conversa informal e eles mesmos, desconstroem o que pensavam por aquilo que de fato sabem.

—————————————————–

A criança é feita de cem.

A criança tem cem mãos, cem pensamentos, cem modos de pensar, de jogar e de falar.

Cem, sempre cem modos de escutar as maravilhas de amar.

Cem alegrias para cantar e compreender.

Cem mundos para descobrir. Cem mundos para inventar.

Cem mundos para sonhar.

Loris Malaguzzi*


Escola Jardim da Infância Campinas

Professora Marieli Furtado

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Aline Reino

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