Revista Statto

Ita Ehlers, a primeira Miss Santa Maria

24/10/2018 às 10h33

“Não é porque os anos passam que as pessoas deixam de ser bonitas. Aquele traço de beleza da juventude permanece na velhice. Às vezes um pouco apagado, mas, em outros momentos, ele se ilumina”. A autora dessa frase não é ninguém menos que a primeira Miss Santa Maria, eleita em 1954, Ita Ehlers. E ela tem razão. Em seu rosto, aos 87 anos, ainda estão os belos traços da sua juventude.

Natural de Santana do Livramento, Ita morou muitos anos em Porto Alegre. Veio para Santa Maria quando tinha 20 anos de idade, devido à transferência de seu pai. “Santa Maria era uma cidade pequena. Mas era muito bom viver aqui. Eu tinha muitos amigos”, recorda.

Saudosista, nos transporta com sua fala às reuniões em família, aos encontros com os amigos, aos recitais e serenatas da época. “Os namorados chegavam de madrugada e a gente era acordada com aquela música maravilhosa. Era uma época muito romântica”, conta.

Aqui, Ita conheceu seu marido Hardy Balhelt, economista e um dos fundadores da Universidade Federal de Santa Maria. “Fui muito feliz. Meu marido era uma pessoa maravilhosa. Minhas filhas nasceram aqui”, enfatiza.
Mas, segundo ela, o maior acontecimento da sua vida naquele tempo foi o Concurso Miss Santa Maria. As candidatas eram selecionadas pela diretoria dos clubes. Não havia desfile de traje de gala e maiô. Ita foi a representante do Clube Santamariense. Cada entidade social tinha a sua candidata. A votação era através do jornal da época, A Razão que, a cada edição, trazia um cupom, onde a população escrevia qual a sua preferida, recortava e colocava numa urna.

Ita foi a escolhida para representar Santa Maria no Miss Rio Grande do Sul, em Caxias do Sul. Mas nem tudo aconteceu como o esperado. Na hora de desfilar, seu noivo Hardy não queria. “Ele colocou o pé atrás. Ficou com ciúmes, e a família concordou com ele. Ninguém acreditava que eu fosse ganhar em uma cidade que tinha muita moça bonita, justamente eu que vinha de outra cidade, e era novata em Santa Maria”, lembra, destacando que nada foi premeditado.

No final, isso foi o que aconteceu: Ita não desfilou de maiô, só de traje de gala. Na época teve que ouvir insinuações que não tinha desfilado porque as pernas eram tortas. E isso a perseguiu por um bom tempo. “No verão, no clube, eu era um sucesso. Todo mundo queria ver as minhas pernas”, risos. A Miss RS daquele ano foi a candidata de Pelotas. Ita não sabe se é verdade, mas lhe contaram que ficou em quarto lugar no concurso.

Hoje, viúva, duas filhas, cinco netos e uma bisneta, a eterna Miss ainda é reconhecida na cidade. “Às vezes estou na rua, e pessoas que não conheço falam: tu foste Miss Santa Maria. Meu Deus, isso faz mais de 60 anos”, admirasse.

Clotilde Gama

 

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Giovani Becker

Por

@giovani.becker.9 Santa Maria/RS