Revista Statto

A IMPORTÂNCIA DE CONHECER O CONTEXTO GLOBAL

26/02/2019 às 11h08

Expressiva parte das empresas nas quais desenvolvi atividades de consultoria ou assessoria, atuam diretamente no segmento do agronegócio ou possuem íntima relação com este setor econômico. No entanto quando se estabelece esta parceria, muitos empresários e gestores buscam alternativas e soluções às questões ligadas aos processos produtivos, de suporte ou ao desenvolvimento de métodos e técnicas que possam entregar um resultado melhor a partir das operações específicas do negócio.

No entanto, em razão das inúmeras adversidades que os produtores enfrentam atualmente, alguns já reconhecem que não basta fazer uso de tecnologia de ponta ou possuir processos bem delineados. Para que estes fatores possam de fato proporcionar o incremento desejado é necessário que as pessoas ligadas às coisas do campo também se desenvolvam e evoluam.

Talvez este seja o maior desafio, e que não fica explícito com facilidade, a ser superado pelos empresários e estruturas funcionais do setor. O que se percebe na grande maioria dos casos é a falta de consumo de informações que são relevantes aos negócios do campo. Rotineiramente, os envolvidos com a atividade rural buscam informações técnicas e tecnológicas sobre equipamentos, manejo, melhoramentos genéticos entre outros, e acabam não realizando a última parte: como isso tudo pode auxiliar o agronegócio na obtenção de melhores posicionamentos e resultados, considerando um cenário global?

Se por um prisma o agronegócio brasileiro é observado de perto pelos players do mercado mundial, sendo também um setor que contribui muito para a economia brasileira, ajudando a equilibrar inúmeras deficiências de produtividade, eficiência e gestão, por outro lado os operadores locais possuem dificuldade para enxergar e projetar o que se pode esperar de uma safra para outra. Quando se trata de Rio Grande do Sul esse contraste é ainda maior.

Os profissionais ligados ao campo precisam aprender a fazer esta leitura de forma mais ampla, de maneira macro orientada. Apenas para ilustrar, numa reunião com diversos produtores e técnicos do setor, questionei como estavam percebendo as relações comerciais fragilizadas entre os Estados Unidos e a China? Apenas uma, das 25 pessoas presentes esboçou uma resposta. A partir disso enfatizo que é imprescindível começar a conhecer cenários diversos, para que de fato possa haver um posicionamento mais sólido e confiável nas decisões e questões de gestão. Evitar que as queixas sobre os preços dos insumos, as adversidades climáticas, o baixo preço do produto sejam as principais pautas.

Acessar informações confiáveis, de fontes sérias que estão disponíveis em grande volume, discuti-las, entendê-las e projetar seus reflexos na nossa economia são aspectos fundamentais.

Mas para que isso ocorra é necessário que os profissionais do agronegócio se disponham a realizar esta busca de informações “além-fronteiras” e que possam repassar aos seus colaboradores envolvidos na gestão das empresas rurais e, que os empresários que prestam serviços aos produtores também entendam a amplitude de oportunidades e ameaças desse mercado tão sensível. Penso que se tivermos a força de seguir um caminho proativo, podemos superar mais um grande desafio e, o agronegócio terá novamente demonstrado a sua capacidade de se reinventar e de sobrepujar qualquer adversidade.

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