Revista Statto

LUCRATIVIDADE COM A SOJA SEM DEPENDER TANTO DA BOLSA DE CHICAGO

06/01/2020 às 11h33

A pulsão agrícola brasileira confere ao País uma posição de destacada importância na produção mundial de alimentos. No mercado nacional a soja é tão representativa no contexto do agronegócio brasileiro quanto o país, em nível global, como um dos maiores produtores e exportadores desta importante commodity. Segundo a Food and Agriculture Organization – FAO, o Brasil responde por aproximadamente de 28% do total da produção desta oleaginosa no mundo. No cenário nacional, o Rio Grande do Sul ocupa a posição de terceiro maior produtor, estando atrás apenas dos estados de Mato Grosso e Paraná.

Quanto à produtividade média, o rendimento obtido com o grão no Rio Grande do Sul pouco ultrapassa as 56 sacas por hectare. Tal produtividade, mesmo estando acima da média nacional, não garante uma lucratividade ao produtor agrícola capaz de tranquilizá-lo frente às oscilações do valor desta commodity no mercado internacional.

A alta da demanda pelo grão nacional, paradoxalmente à queda do valor pago por unidade de saca pelas tradings resulta em atratividade, provocada pela elevação do dólar frente ao real, indicando um bom momento para este negócio. No entanto, ao verificar a variável da produtividade, evidencia-se um contraste marcante ao comparar a média da produtividade gaúcha (56,3 sacas por hectare) à média obtida por um produtor do município de Cruz Alta que obteve 123,88 sacas por hectare. Pela análise simples destes números percebe-se que ainda há muito a ser feito em prol da alta produção.

Nesse sentido, fatores como o manejo adequado do solo, uso inteligente da tecnologia, apoio nas instituições de pesquisa e desenvolvimento são aspectos que podem auxiliar na obtenção de índices mais interessantes quando se trata de produtividade. Ainda há uma parcela de produtores que resistem a profissionalização da atividade empresarial no campo. A falta de conhecimento sobre as condições ideais de solo, planta, clima e tecnologia ainda são responsáveis por puxar para baixo a produtividade da soja em solo gaúcho.

Embora para fins de enquadramento jurídico o negócio rural ainda possua uma estrutura menos densa que outras atividades, a complexidade da empresa rural assemelha-se a uma organização industrial. O negócio rural precisa continuar em evolução. Resta claro que o fator produtividade pode ser o grande “divisor de águas” no sentido de aliviar o produtor rural da pressão histórica que tem sido a expectativa dos valores indicados da Bolsa de Chicago ou dos entraves comerciais entre Estados Unidos e China, entre outras variantes que se impõe sobre o preço da soja brasileira.

Ao contrário do que ocorreu com a praticamente extinta produção do trigo ou das imensas dificuldades enfrentadas pelos produtores de arroz, a soja tem um grande apelo comercial em função da sua multifacetada aplicação na indústria. A discussão não se estabelece em quanto a produção da oleaginosa pode gerar de riqueza em todos os setores envolvidos na cadeia produtiva, mas no quanto ela pode agregar de valor a partir do melhor aproveitamento do seu potencial produtivo, especialmente pelo produtor rural.

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