Revista Statto

LIDANDO COM A INCERTEZA

16/08/2019 às 17h36

Nos negócios há sempre a presença dos riscos. Os princípios subjacentes sobre os quais uma empresa é estruturada infere a necessidade de avaliar os riscos do empreendimento. E quando me refiro a riscos, afasto a condição de aventura. Esta última ocorre quando o motivado realizador se lança numa operação sem conhecer as principais e as maiores particularidades desta.

Os riscos caracterizam uma forma de incerteza e, caracterizamos risco quando há precedentes históricos na forma de eventos semelhantes, dos quais é possível estimar probabilidades, mesmo com certo grau de subjetividade, para quais podem ficar delineados resultados diferentes. Outra forma de incerteza é a estrutural. A partir desta consideramos a possibilidade, partindo da ausência ou da fragilidade de um evento, que possa indicar probabilidade apenas sendo possível projetar uma cadeia de raciocínio de causa e efeito.

Mesmo com significativas restrições um planejamento contemplando a construção de cenários pode ajudar os gestores a projetarem o que pode acontecer e, assim, realizar uma projeção de julgamento relativizada. Se por um lado um planejamento permite a “simulação controlada” de circunstâncias e, a isso nominamos riscos, a ausência deste pode ser considerada pura aventura.

Muitos fatores no ambiente de negócios exibem elementos de previsibilidade, especialmente aqueles onde as mudanças não se mostram velozes. Em contrapartida tal previsibilidade é drasticamente reduzida se o ambiente de negócios é volátil, mutável ou sensível a oscilação de variáveis externas que geram problemas.

O maior problema num ambiente de negócios é sua complexidade. Então o que pode efetivamente fazer a diferença para o negócio? A resposta está longe de ser direta. É preciso iniciar por questões simples como investigar o quanto se domina daquilo que se pretende empreender? Onde posso buscar informações, conhecimento efetivo do negócio? Quem já atua no segmento que pretendo e que obteve sucesso? Quais foram suas experiências? Estas experiências podem ser compartilhadas comigo?

Respondidos os questionamentos anteriores, ainda estaremos apenas seguindo vagarosamente ao encontro daquilo que é preciso para avaliar o risco do negócio. E, isso serve não somente para aqueles que desejam iniciar um empreendimento, mas também, para aqueles que já estão no percurso.

Depois de reunir este conhecimento base é necessário voltar a visão para dentro do negócio. Perguntar-se: tenho a estrutura mínima exigida? Qual minha força de trabalho? Qual a qualidade daquilo que irei entregar? Como obtenho diferenciação? Quando terei o reconhecimento do mercado? As repostas para tais questões são mais simples, pois são orgânicas. Como são particulares do negócio é possível potencializá-las.

Portanto, é complexo gerir um negócio, porém, com ações simples é possível torná-lo mais resistentes às incertezas que permeiam o ambiente. Há farta bibliografia, cases, empresas especializadas e profissionais que podem auxiliar o empreendedor a criar, a melhorar e a ampliar seu negócio. Nenhum negócio parte do primeiro degrau e logo em seguida é remetido ao trigésimo. O percurso é degrau a degrau, formando base sólida, estrutura adequada, força de trabalho competente, clientes positivos, marca reconhecida e assim, há a possibilidade de sustentar-se mesmo frente aos momentos de crise é muito maior.

 

 

 

Marcelo Pastoriza Tatsch, Dr.

Consultor em Estratégia, Gestão de Resultados e Desenvolvimento Humano

Professor Antonio Meneghetti Faculdade

Instagram: @marcelo.p.tatsch / tatsch.marcelo@gmail.com

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