Revista Statto

EDUCAÇÃO CENTRALIZADA NO ESTADO UMA ESCOLA DE ELEITORES.

30/12/2020 às 15h34

Nas memoráveis palavras de John Stuart Mill: “É impossível que ocorram grandes transformações positivas no destino da humanidade se não houver uma mudança de peso na estrutura básica de seu modo de pensar

Ao analisarmos a frase acima, é possível perceber o que Mill afirmava, não existe como haver mudanças se o pensamento continuar sendo o mesmo, logo o contrário também será valido, se o pensamento for o mesmo não haverá mudanças. Você pode estar se perguntando o motivo deste texto ter se iniciado com essa premissa, por mais incrível e maquiavélico que possa ser, o estado com suas estruturas educacionais centralizadas toma para si essa verdade, induz uma espécie de estagnação e hegemonia de ideias, com o objetivo final de se manter forte e terrivelmente interventor.

O fato das bases educacionais se concentrarem num órgão público, é uma simples garantia ao establishment que a sua hegemonia pouco será questionada, a figura do MEC como detentor da educação, traduz ao campo educacional um braço de um paternalismo estatal que visa violar a liberdade de pensamento em detrimento da manutenção do poder.

É possível diluir isso de forma mais simples, imagine a seguinte situação:

Uma criança é ensinada em sala de aula, que o rico rouba, e o pobre é roubado, essa criança cresce e ingressa numa universidade de pedagogia, lá seu professor vestido de vermelho, explica ao agora jovem, sobre opressor e oprimido e como tal partido deve ganhar por seguir a mesma narrativa. Esse jovem se forma e se torna professor, ao chegar em sua sala de aula, encontra uma criança e repete a mesma história, essa criança entra na universidade e é induzida a votar em tal partido. É um ciclo, quando o estado toma para si o papel de único educador, além de suprimir as liberdades alheias, o mesmo ironicamente não educa, antes forma militantes favoráveis à permanência de seus ideais nas estruturas de poder.

A desculpa é sempre a mesma, o estado deve intervir na educação para democratizar o acesso por causa da desigualdade social. Se pensarmos e analisarmos a economia básica e a história real, veremos que todas as desigualdades sociais surgiram não com a ascensão do capitalismo industrial, mas sim com um estado forte e interventor, Andreas Marquart deixa isso claro em seu artigo ao Instituto Mises:

Trata-se de um “modelo organizacional” pérfido, no qual o estado cria a desigualdade social por meio de seu sistema monetário monopolista, divide a sociedade em pobres e ricos, e torna as pessoas dependentes do assistencialismo. Para “remediar” este arranjo, ele intervém criando regulamentações e políticas redistributivas, tudo para justificar a sua existência“.

Eis a verdade, a desculpa da intervenção por democratização só facilita a perpetuação da falta de acesso, a educação se insere nisso, ao ponto que mesmo que um aluno de escola pública custe três vezes mais aos cofres públicos, um aluno de escola privada sempre consegue os melhores resultados, que numa visão geral, por causa da base centralizada, também não é grande coisa. A educação centralizada é um prato cheio para a tirania estatal de implantar ideologias e formar eleitores.

Você pode perguntar sobre a possibilidade de se quebrar esse esquema, pense, não precisamos pegar em armas, derrubar o poder, precisamos de parar de cobrar do estado uma função que não lhe convém, e agir por nós mesmos. Recentemente enquanto apresentava um seminário sobre o assunto, uma das pessoas perguntou se havia uma ideia mais prática, eu apresentei um planejamento baseado em três pontos:

Ensino Paralelo

A criação de organizações sem fins lucrativos para ensinar de verdade princípios de cidadania básica, evitando a alienação ideológica

A criação de Polos universitários que visem combater a doutrinação ideológica.

Polos de caráter técnico, que cobrem o corpo docente o cumprimento das grades de assuntos necessários para a área estudada, ao invés de ficar defendendo seus candidatos em sala de aula.

Uma articulação popular para a descentralização da força estatal sobre a educação

A voz de um povo Unido causa medo nos governantes e esse medo consegue mudanças no sistema, foi assim que tiramos Dilma e derrubamos a ditadura. Protestos pacíficos costumam gerar resultados.

Resumindo tudo, enquanto o estado tiver controle sobre como determinada geração deve ou não pensar, deve ou não estudar, veremos ignorantes políticos elegendo maus políticos, os quais perpetuarão a formação de mais ignorância com um único objetivo: doutrinar o povo e se manter no establishment. A mudança não virá do Estado, ela só pode ocorrer por nós, se lutarmos poderemos enfim alcançar uma nação verdadeiramente livre.

Referências bibliográficas

MILL, Stuart. Ensaios sobre a liberdade.1859, pág 39

MARQUART, Andreas. O estado gera as desigualdades sociais que ele próprio alega ser o único capaz de resolver.2015

Compartilhe!
SOBRE O AUTOR

Por

POSTS RELACIONADOS
COMENTÁRIOS

1 Comentário

  1. Parabéns pelo artigo. Um tema bem atual e que nos leva à refletir como nossas crianças de hoje podem serem preparadas pars revolucionar essa área da educação na formação de futuros bons e conscientizados governantes.
    Parabéns Gabriel Joumblat!

    Comentário por Adriana Juran - dia 2 de março de 2021 às 17:42
ESCREVA UM COMENTÁRIO

Seu e-mail não será publicado. Campos marcados com * são obrigatórios.

IMPORTANTE!
As informações recebidas e publicadas são de responsabilidade total de quem as enviou. Apenas publicamos as matérias e notas que as assessorias de imprensa nos passam. Qualquer problema, envie-nos e-mail relatando o ocorrido que transmitiremos aos devidos responsáveis.
desenvolvido porDue Propaganda