Revista Statto

O AMANHÃ QUE EU NÃO QUERO

10/02/2021 às 10h27

Dois filmes completamente diferentes em estilo apresentam o mesmo tema para tratar de um assunto complexo e muito atual: os impactos das mudanças climáticas na vida da humanidade. Afinal, um é documentário e o outro, ficção. O primeiro tem o título “O Amanhã é Hoje” e o outro, traduzido para o português, se chama o “O Expresso do Amanhã”.

O documentário é muito interessante e deve mesmo ser visto por todos aqueles que querem entender de que forma as mudanças climáticas já estão impactando na vida de muitas pessoas que moram nas cidades, no campo ou na floresta. Ele aproxima o problema de quem ainda não vive ou teve contato com essa dura realidade por meio dos depoimentos daqueles que já vivenciaram ou vivenciam esse problema.

Há o testemunho do comerciante Gilberto Sader de Nova Friburgo (RJ), que viu sua loja destruída em um escorregamento de morro e teve que lidar com o prejuízo de mais de um milhão de reais. No entanto, o que me chamou a atenção no depoimento dele foi o medo de ter perdido os filhos que surgiu logo que se deparou com a tragédia. Ou seja, na hora do desespero, as posses materiais perdem completamente a importância que possamos dar a elas e dão lugar à preocupação com aqueles que amamos. Esse mesmo medo pelo filho surgiu em Patrícia Amado, microempresária de Santos (SP), que testemunhou a invasão da água do mar no seu prédio e em edifícios vizinhos quando moradores Ponta da Praia, bairro do município, tiveram momentos terríveis em decorrência de uma forte ressaca. Nos outros depoimentos do documentário, essa mesma preocupação com as pessoas – parentes ou não – é manifestada pelos entrevistados, que já entendem na pele que, se nada continuar sendo feito, as mudanças climáticas prosseguirão modificando o ambiente como o conhecemos e, consequentemente, a vida da sociedade.

Esse, aliás, é o cenário da ficção “O Expresso do Amanhã”, uma série que teve sua segunda temporada lançada há pouco tempo na Netflix. O cenário é um mundo congelado, com menos 121° graus de temperatura, e que condena a sobrevivência em um trem em constante movimento. Ou seja, nessa distopia, as mudanças climáticas impediram a permanência dos humanos e outros seres vivos no planeta.

Os títulos dos dois filmes são sugestivos ao empregarem a mesma palavra, amanhã, mas com sentido tão diferente. Afinal, os problemas decorrentes do aquecimento global e mudanças climáticas já estão presentes na vida de muitas pessoas e não tardarão a impactar a vida de todos nós. Comigo, guardo a esperança de que despertemos em tempo para o sentido de urgência que essa situação exige antes que não reste nenhum amanhã para nos preocuparmos.

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Maria Carolina Ramos

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