Revista Statto

Seu pet está gordo?

12/09/2018 às 15h28

Sou apaixonada por cachorros. De todas as raças, de todos os tamanhos. Sou daquelas que para os tutores na rua para fazer perguntas. Não resisto aos pets. E quando são gordinhos então, nem se fala. Faço voz de criança, quero passar a mão…. Adoro vê-los rebolando, ou melhor, tentando com aquelas ancas volumosas. Acho um charme. Mas tenho consciência que não podem engordar muito, faz mal para a saúde deles e precisam de cuidados especiais.

Muitos são os motivos que levam um cachorro a engordar. Entre eles estão o sedentarismo e o excesso de oferta de alimento ou de alimentos de consumo humano, que são impróprios para cães. Algumas doenças endócrinas também podem levar ao aumento do apetite e do ganho de peso como, por exemplo, o hiperadrenocorticismo e o hipotireoidismo, respectivamente.

“Os tutores devem estar atentos à quantidade de alimento que está sendo ofertada ao cão. Deve-se seguir a recomendação da embalagem da ração sobre a porção a ser oferecida conforme o peso do animal. Essa quantia pode ser dividida em duas ou até quatro porções ao dia, dessa maneira o cãozinho irá sentir mais saciedade”, ensina a veterinária Sabrina Bäumer, enfatizando que “é importante que o cão seja alimentado sempre pela mesma pessoa para que não sejam dadas porções extras de alimento. Devemos evitar os petiscos em excesso, assim como alimentos humanos, como pão, biscoitos, doces e frituras, por exemplo”. Quando seu pet estiver gordo, o ideal é levá-lo para uma avaliação com o veterinário, que indicará uma ração light de boa qualidade ou, até mesmo, uma medicamentosa com mais fibras e menos gorduras e calorias.

“Além disso, podem ser feitos exames para pesquisar possíveis doenças que causam a obesidade. Caso o animal seja acostumado a receber petiscos como recompensa, atualmente existem no mercado alguns biscoitos light e com fibras, que devem ser ofertados com moderação. Estimular o animal com brincadeiras e caminhadas é muito importante para que ele se exercite mais”, alerta Sabrina.

Algumas frutas e verduras também são uma boa opção, mas devem ser oferecidas em pouca quantidade. “O açúcar natural delas pode engordar o animal. Além disso, temos que evitar as que são tóxicas para eles: a carambola pode causar insuficiência renal; uvas podem levar a falência renal aguda; cebola pode causar anemia grave; maçã e pera devem ser oferecidas sem as sementes, pois liberam ácido cianídrico; abacate deve ser oferecido com moderação, pois possui alto teor de gordura. Frutas cítricas podem ser oferecidas desde que o animal não tenha gastrite ou alguma intolerância individual, como vômito após a ingestão, por exemplo. Cenoura, tomate, alface, abobrinha, banana, brócolis, kiwi, mamão, melão e melancia são boas opções e geralmente tem boa aceitação pelos pets”, receita Sabrina.

Existe ainda a possibilidade de uma alimentação natural, que é 100% caseira, porém, salienta a veterinária, ela exige assessoria e supervisão de um nutricionista canino que irá formular uma dieta que forneça todos os requisitos nutricionais do animal, caso contrário à saúde dele pode ser colocada em risco A obesidade pode causar osteoartrite (prejudicando as
articulações e a coluna), pancreatite, alterações hepáticas, lesões nos ligamentos do joelho, elevar a pressão arterial, colesterol e triglicerídeos, agravar doenças respiratórias e cardíacas e desencadear resistência insulínica que pode acarretar o diabetes mellitus.

“Devido a todos esses efeitos negativos no organismo, a obesidade reduz a expectativa de vida do animal em até dois anos. Além disso, caso ele seja submetido a um procedimento que necessite ser sedado ou anestesiado, o risco de complicações se torna maior. A obesidade reduz a capacidade respiratória do animal devido a diminuição da complacência torácica e dificuldade de movimentação do diafragma. A gordura nos tecidos da faringe e da língua pode levar à obstrução das vias aéreas após o uso de sedativos ou tranquilizantes ou durante a indução da anestesia. Outro fator importante é que alguns fármacos possuem a capacidade de se acumular no tecido adiposo, prolongando a eliminação destes e, por consequência, a recuperação da anestesia. Por isso é muito importante que nesses casos ele seja acompanhado por um anestesista veterinário capacitado que irá monitorá-lo constantemente e estará preparado para contornar as intercorrências que possam surgir durante o procedimento anestésico”, comentou Sabrina, que é especialista em Anestesiologia Veterinária e mestra em Clínica e Cirurgia Veterinária (ênfase em anestesiologia).

Caminhadas para emagrecer

A educadora física Laura da Rosa sabe muito bem como é cuidar de um pet gordinho. Seu Toddy da raça dachshund, mais conhecida como salsichinha, começou a engordar quando tinha três anos de idade. Coincidência ou não, o aumento no peso ocorreu logo depois que iniciou um tratamento a base de corticoide por causa um problema na pele dele. “Ele chegou a pesar 14 quilos, o dobro de um peso normal para a raça”, conta. Toddynho faleceu há quatro anos, mas a tutora lembra muito bem o que ele comia. “Ração era a base, adorava cenoura e sempre dávamos um pedaço do que estávamos comendo, porque ele sabia ficar sentadinho de pé e achávamos lindo”, conta emocionada Laura fazendo uma mea-culpa dizendo que “aí foi o erro…”

Se alimentar somente de ração para obesos e fazer caminhadas foram os procedimentos adotados por ela para emagrecer Toddynho. Mas não foi fácil. “Foi muito difícil porque ele também tinha problema de coração, então eu não podia caminhar muito com ele, obeso e cardíaco, tinha que ser leve, mas emagreceu quatro quilos, chegou a 10”, enfatiza.

Hoje Laura ameniza a saudades que sente de Toddynho com seu outro salsichinha, o Bonny. E será que ele também está engordando? “Olha a gente cuida, mas deu uma engordada já, mas tendo caminhar mais e ele frequenta a creche uma vez na semana onde brinca com os amiguinhos”, conta sorridente. A alimentação do Bonny, além de ração, inclui cenoura todos os dias.

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Clotilde Gama

Por

@clotildegama Santa Maria/RS